Cultura

Poesia conecta eruditos e contemporâneos

Samantha Ciuffa
| Tempo de leitura: 2 min

Foi no ano de 1902, em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, que nasceu o responsável pela data que marca o Dia Nacional da Poesia, comemorada em 31 de outubro. Carlos Drummond de Andrade, considerado por muitos o poeta brasileiro mais influente, empresta seu dia para enaltecer a arte que é intensamente representada por escritores, de diferentes linhas, na cidade de Bauru.

Seja no clássico ou no contemporâneo, a cena poética do município existe e resiste. É o que afirma o produtor cultural e poeta Renato Franco Bueno, de 36 anos. "Vejo que há um diálogo e um trânsito muito interessantes entre a velha escola e os mais jovens. Por vezes, a poesia daqueles que são mais antigos atravessa a nossa e elas se encontram", reflete.

As diferentes linguagens é uma das características que diferenciam as estruturas de texto dessa nova estética. "O hip hop, o rap e o funk, que são ritmos e gêneros que falam com jovens de periferia, possuem uma estrutura poética. No entanto, nós não ficamos restritos a esse esquema mais clássico. A gente escreve como quem necessita gritar ao mundo que nós existimos. Acho que a função da arte é emancipar", completa Renato.

Em consonância estão os poetas de linha erudita e outras tendências clássicas. Membro da Academia Bauruense de Letra (ABL), Lázaro Carneiro, 70, conhecido como o "Poeta do Cerrado", defende que todas as classes de poesias têm seu papel e a união delas é o ideal para suprir a cultura bauruense. "Neste cenário, existem várias camadas que podemos observar. Tem as poesias consideradas marginalizadas, que abordam críticas sociais, questões raciais, étnicas e de sexualidade. É muito bonito, porque, na Academia, esses temas geralmente não são abordados dentro da poesia clássica", declara Lázaro.

Escritor de três livros e também conhecido como "o caipira que leu Nietzsche", Carneiro conta que cresceu muito próximo ao cerrado e, por não ter tido grande formação escolar, foi desenvolvendo seu texto a partir de suas experiências de vida próximo ao bioma brasileiro. "Eu sou um caipira, falo do cerrado e da minha infância justamente porque não conheci outro lugar além desse. Depois de um tempo, passei a ter um certo conhecimento, li os grandes filósofos, mas me mantenho fiel à minha cultura original", afirma.

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