Eles foram os primeiros a suspender as atividades e serão os últimos a retomar os negócios. Após sete meses de pandemia, alguns destes setores mais castigados pelas restrições impostas para frear a disseminação do novo coronavírus começaram a voltar ao trabalho, mas o processo ainda ocorre em ritmo lento.
São segmentos como escolas infantis, motoristas do transporte escolar, salas de cinema, além da cadeia que envolve o ramo de eventos, incluindo cerimonialistas, DJs e donos de buffets. Nesta reportagem do JC, profissionais revelam as dificuldades que ainda estão enfrentando e projetam que os prejuízos acumulados durante este período só poderão ser parcialmente recuperados.
Apontam, ainda, que têm buscado maneiras de se reinventarem e se adaptarem a esta nova realidade, já que a plena normalização das atividades dependerá da disponibilização de vacina para a população, algo que ainda não tem prazo para ocorrer.
"Todo mundo ainda está sofrendo, em menor ou maior intensidade, as consequências da pandemia. É um longo período de paralisação e isso desestruturou toda a economia, levou ao fechamento de muitas empresas e ao aumento do desemprego. Vai levar tempo para a completa reestruturação", analisa Walace Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio).
PERSPECTIVA
Especificamente para estes setores mais críticos, que serão "os últimos a voltar", a previsão é de que uma situação um pouco mais confortável seja alcançada apenas em 2021. Para 2020, a projeção é de queda no Produto Interno Bruto (PIB) em aproximadamente 4% e que o País chegue à casa de 14 milhões de pessoas desempregadas.
"Já para 2021, a expectativa é que o PIB do Brasil cresça em 3,5%", pontua o economista Fred Matano, professor da Unisagrado. Como a crise é grave e a recuperação, lenta, ele acrescenta que os setores mais afetados terão de ser resilientes.
"As escolas infantis, por exemplo, terão de rever valores das mensalidades e fazer muitas promoções para recuperar as matrículas canceladas. Da mesma forma, os motoristas de transporte de alunos terão de negociar mensalidades. Já o setor de eventos, como temos visto em algumas cidades, tem apostado em sistemas de drive thru e drive-in para começar a fazer caixa novamente", descreve. Veja, abaixo, as perspectivas, análises e estratégias de alguns destes setores mais prejudicados.