Tribuna do Leitor

Folhetos

Patrícia Schubert
| Tempo de leitura: 1 min

Estacionei o carro e observei que nos demais veículos ali parados haviam pequenos folhetos nos vidros laterais. Tinham o formato de um marcador de livro. Finos e compridos. Imaginei que fossem mensagens religiosas.

Me deu vontade de ler... Segundos depois vejo um homem abordando uma moça na calçada e a ela entrega essas mensagens. E seguiu adiante. Saí do carro e disse: "Moço!" Ele, que andava rápido, olhou para trás, em minha direção. "Eu quero uma mensagem", falei. "Você quer?", respondeu-me com ar de evidente surpresa, quase um espanto. Sorrindo, entregou-me, então, dois papeizinhos. Contei-lhe que eu tinha o hábito de pegar mensagens e entregar a amigos por cartas ou colocar nas mesas de trabalho de alguns colegas. As mensagens, os textos, os livros, especialmente nos momentos mais difíceis de minha vida, foram grandes amigos. Um dia, prestando serviço voluntário numa biblioteca, onde fui acolhida por duas almas nobres e maravilhosas, encontrei uma mensagem manuscrita no meio de uma obra. Parecia que o encontro não foi por acaso. Era o que eu precisava ler. Guardei-a. O que nela estava escrito no momento em que a recebi me confortou. Não nos furtemos de receber esses auxílios...

 

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