Washington - Não dá para dizer quem vence a eleição dos EUA nesta terça-feira (3). O duelo Trump x Biden hoje define o caminho a ser tomado pelo país pelos americanos: se mais à direita, se Donald Trump for confirmado para um segundo mandato. Ou se a sociedade ficou insatisfeita com o poder dado ao mega-milionário e empresário há quatro anos. Nesse caso Joe Biden, o democrata sairia o vencedor. Duas premissas são certas para este dia: a primeira, não há como definir vencedor, a despeito das pesquisas darem Joe Biden à frente. A segunda: o país vota com medo e se prepara para conflitos, qualquer que seja o resultado.
MEDO NO AR
Os Estados Unidos se prepararam para as eleições como quem assiste a um filme de suspense, à espera de que algo assustador aconteça.
A rede de lojas Walmart retirou armas e munições de suas estantes. Na região central de Washington, o comércio está coberto por tapumes. A Universidade George Washington, também na capital, pediu a seus alunos que estoquem comida suficiente para uma semana. Patrulhamento é incrementado em todo o país.
O receio é de que o pleito descambe para algum tipo de violência. Há diversas possibilidades. Grupos radicais podem comparecer armados às urnas para intimidar eleitores. Preocupa também que milícias se recusem a aceitar uma eventual derrota do republicano Donald Trump e marchem nas ruas do país. Ele mesmo disse que está sendo vítima de um complô.
Esses cenários racham, de certo modo, a imagem que os Estados Unidos têm de si. Analistas estudaram, no passado, a insegurança de países distantes. Encheram a boca para apontar defeitos no processo eleitoral de outrem. Agora, olham para o umbigo.
O Instituto para Pesquisa e Educação em Direitos Humanos, Devin Burghart, de que é diretor-executivo, monitora grupos radicais de direita. Com base em sua pesquisa, Burghart afirma que os estados mais ameaçados são Geórgia e Nevada. Em segundo lugar aparecem Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Arizona e Virgínia.
Alguns desses são justamente os lugares em que a eleição pode ser decidida, o que agrava a situação. Quanto mais apertado for o resultado, maior é a chance de grupos radicais resolverem agir.
SEQUESTRO PLANEJADO
Essas ideias podem parecer, a princípio, alarmistas. Mas há razão para tal alarme. As autoridades recentemente desvelaram planos para sequestrar Gretchen Whitmer, governadora de Michigan, e Ralph Northam, governador da Virgínia. Ambos são democratas.
Grupos armados falam abertamente em ir às urnas para fazer o que eles chamam de "monitoramento" e que especialistas dizem ser uma clara tentativa de intimidação. O porte de armas nas urnas é permitido em diversas partes do país, como Michigan.
Desde o começo da pandemia da Covid-19, o país tem inclusive se armado mais e mais. Segundo o jornal Washington Post, americanos já compraram 18 milhões de armas em 2020. No estado de Michigan, as vendas triplicaram em comparação com 2019.
Preocupa também, que depois das investigações em Michigan e na Virgínia movimentos radicais decidiram abaixar o tom e evitar o radar das autoridades. Não se sabe até onde essa trégua é real.
COMPLÔ
Vale lembrar que cinco horas depois de tomar posse, no dia 20 de janeiro de 2017, Donald Trump registrou sua campanha à reeleição. No segundo mês de governo, já fazia comícios e arrecadava milhões.
Se Trump for derrotado nas urnas por Joe Biden, só quem não observou os últimos quatro anos nos EUA esperaria dele civilidade ou recato institucional nas 11 semanas entre a eleição da posse.
Nunca houve, na história moderna do país, tanta incerteza sobre o período que começa, neste ano, no dia 4 de novembro. O presidente, quando lhe perguntam se vai se comprometer com uma transição pacífica de poder, não diz um "sim" claro e passa a se descrever como vítima de um complô.