A pandemia da Covid-19 e o fato de o feriado ter sido precedido por um fim de semana fizeram com que os cemitérios de Bauru registrassem movimento abaixo do normal neste dia de Finados. Conforme o JC apurou, a concentração maior de pessoas foi verificada entre sexta-feira, ponto facultativo em razão do Dia do Servidor Público, e domingo.
O JC percorreu algumas das necrópoles da cidade e constatou a movimentação atípica, que também foi confirmada por visitantes e pela gerência das unidades. A aposentada Marlene Gava, 74 anos, que foi ao Jardim do Ypê acompanhada da sobrinha, notou que as vias do cemitério estavam bem mais vazias neste feriado.
"A sensação é de que o movimento vem diminuindo a cada ano. Acredito que as pessoas estejam perdendo o hábito de ir aos cemitérios. Mas eu tenho o costume. É um hábito da família que vou manter", conta ela, que foi visitar os jazigos onde estão o pai, a irmã, um cunhado e o ex-marido.
"A gente nunca esquece as pessoas que foram especiais na vida da gente. Aqui é um lugar de paz e reflexão, que ajuda a trazer conforto", observa.
Mesmo em meio à pandemia, a aposentada Albertina Aparecida Ferreira Caminha, 86 anos, não abriu mão de visitar o jazigo da família, especialmente porque a morte do marido, com quem viveu por 70 anos, irá completar um ano no próximo sábado. Como ela pertence ao grupo de risco, redobrou os cuidados de higiene durante o tempo em que permaneceu fora de casa.
"Eu não poderia deixar de visitá-lo neste primeiro ano. Então, coloquei máscara, luva e levei um borrifador de álcool comigo. Depois, assim que cheguei em casa, também me limpei com álcool, fui tomar banho e troquei de roupa", conta ela, que foi Cemitério da Saudade acompanhada da filha.
TRANQUILIDADE
Já o funcionário público Elvis Aron Zanqueta, 35 anos, foi ao Jardim dos Lírios para homenagear, com flores, a mãe e irmã, já falecidas. "Este é um momento que nos traz boas recordações e conforto", conta ele, que também percebeu o local mais vazio que o habitual. "Nos anos anteriores, não tinha nem espaço para parar o carro. Agora, neste ano, tinha espaço sobrando", acrescenta.
Para a servidora pública Fabiane Daiane Borges, 28 anos, que foi visitar no Memorial Bauru o primo falecido há quatro meses, além do sogro, da cunhada e da avó, o movimento abaixo do normal teve seu lado positivo. "Fiquei surpresa. Achei que ia ter mais gente. Mas, no fim, foi bom, porque acabou sendo mais tranquilo para fazer a visita", analisa.