Levar vida, cor e alegria por meio de pinceladas em muros e paredes foi como a muralista e designer gráfica de Bauru Ana Lídia Aquino, 34 anos, continuou expressando mensagens positivas em meio à pandemia. Ainda que com queda nos pedidos, na quarentena, ela destaca que a arte dá fôlego e energia para quem a pratica neste momento.
Tendo como inspiração a imensa diversidade natural, a artista carrega natureza em seus traços, com murais de grandes florestas, árvores e demais elementos. "O que as pessoas mais me pedem é para trazer a abrangência da natureza para dentro de suas casas ou espaços", diz Ana. Ainda de acordo com a muralista, esses murais não valorizam apenas o imóvel, mas dão vida e movimento ao ambiente. "Enquanto a pessoa mora naquele local, ela vive uma mudança. Essa junção de cores traz um encanto diferente e, sucessivamente, ajuda na transformação do ser, que capta alegria, ânimo e vida através da arte", diz.
EXPERIÊNCIAS
Muitos de seus clientes são pessoas que fazem trabalhos holísticos, de cura e de terapia. Além de escolas de misticismo, cursos sobre o Sagrado Feminino e de Teorias Quânticas. "A minha forma de transmitir o traço acaba mexendo com sensibilidade naquilo que o outro deseja transmitir para o ambiente. Sobretudo neste momento de isolamento, é muito importante e gratificante levar essa experiência para auxiliar as pessoas a sentirem determinadas conexões", comenta.
A artista, que já trabalhou com quadros e telas, começou a seguir o muralismo há pouco mais de 2 anos e já teve diversas experiências em Bauru e demais cidades como em Araraquara, onde teve a oportunidade de revitalizar parques e quadras com murais pintados por um coletivo. "Tenho tenho vontade de conhecer outros artistas, participar de um coletivo que faça atividades semelhantes. Quero muito pintar um mural na lateral de algum prédio da cidade", salienta
INFLUÊNCIAS
Os muralistas Tatiana Clauzet e Gilvan Samico são representantes do estilo que a artista bauruense mais admira e executa. "Esses desenhos tradicionais brasileiros têm traços que transmitem a cultura em sua essência. Também pesquiso muito sobre desenhos indígenas kene, que são feitos em corpos e artesanatos por eles", afirma.
O que surpreende é que as cores que se destacam no trabalho de Ana Lídia chegaram somente após seus 20 anos, já que na infância ela desenhava com folha de sulfite e grafite. Após trabalhar por 11 anos em uma agência de criação, Ana também é autodidata em design gráfico, atividade que deu suporte financeiro à artista durante a pandemia. "O desejo era de produzir mais murais, principalmente por saber como a arte é capaz de tocar e auxiliar as pessoas. Mas o trabalho como designer foi um caminho para criar artes e levar mensagens positivas às pessoas", destaca. "Apesar da pandemia estar aí, a vida não para. Os boletos chegam e vencem. Isso faz com que, nós artistas, sejamos ainda mais criativos para gerar recursos e nos manter", conclui.