Com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, um grande número de empresas de Bauru ainda sofre com perdas financeiras e boa parte delas deverá enfrentar dificuldades para pagar o 13.º salário dos funcionários. Conforme fontes ouvidas pelo Jornal da Cidade, a situação mais crítica é a dos micro e pequenos negócios, que tiveram pouco ou nenhum acesso a linhas de crédito e menor capacidade para se reestruturar quando as atividades comerciais voltaram a ser autorizadas, ainda que com restrições.
A análise é reforçada pelo 13.º Boletim de Tendências das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo realizado pela Datafolha, a pedido do Sindicato de Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi). De acordo com o estudo, 61% das micro e pequenas indústrias terão dificuldade para pagar o 13.º neste ano.
Em Bauru, é um desafio que se impõe não apenas sobre este setor, mas também sobre os segmentos de comércio e serviços. "Quem não conseguiu buscar tecnologia, se adaptar rapidamente ao novo momento e suportar uma período mais longo sem vendas foi justamente o pequeno negócio. As empresas que sobreviveram estão feridas no seu capital de giro e o volume faturado não é suficiente para pagar as despesas do mês, somadas às que se acumularam ao longo do ano", descreve o economista Reinaldo Cafeo, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
ACESSO A CRÉDITO
Outro agravante é que estes são justamente os empreendimentos que não conseguirão oferecer as garantias de pagamento necessárias para ter acesso a crédito junto às instituições financeiras. Outra possibilidade, conforme destaca Cafeo, é buscar linhas de crédito oferecendo imóveis, máquinas e automóveis como garantia ou, ainda, recorrer ao Banco do Povo ou Desenvolve SP.
"Legalmente, o empresário não tem nenhum instrumento para postergar o pagamento do 13.º. Por lei, ele deve pagar metade até o dia 30 de novembro e o restante até o dia 20 de dezembro. Restaria estabelecer um acordo coletivo, com intermediação do sindicato, para parcelar este pagamento", descreve o economista.
Segundo o consultor jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Elion Pontechelle Junior, a projeção é de que, de fato, boa parte das empresas tenha dificuldade para honrar os pagamentos do 13.º neste ano. Porém, o problema poderá ser contornado se boas vendas forem registradas agora no fim de novembro, com as promoções da Black Friday, e em dezembro, em razão do Natal.
"A expectativa é de que os resultados sejam bons, ainda melhores do que tivemos com o Dia das Crianças, que já foi positivo na comparação com outras datas comemorativas deste ano. As empresas ainda estão em dificuldade, não vão recuperar as perdas acumuladas até agora, mas o pagamento do 13.º, que é uma obrigatoriedade trabalhista, terá de ser priorizado", completa.