Assisti perplexo ao atual "líder do planeta", o presidente dos Estados Unidos da América, utilizar sua condição (lembrando que ele está presidente e não é presidente...) para colocar em xeque o sistema eleitoral da maior democracia da Terra. Mas o que realmente me chamou a atenção é que se Donald Trump se utiliza do seu próprio cargo para acusar sem provas (ele usou a rampa da Casa Branca!), o que falar então de qualquer outro mero mortal deste planeta?!
Ultimamente temos vivido uma série de 'elucubrações' da profundidade de um pires, onde se invocam teorias da conspiração inimagináveis, nega-se a ciência, aliás, nega-se tudo: se existe uma palavra da moda em 2020, ela se chama negacionismo!
Acusar sem provas nessa altura da história da humanidade é algo que me causa ojeriza. Aliás, invocando nossa própria legislação, um jejuno de Direito sabe que o ônus da prova é de quem acusa. Indo um pouco além, aquele que propala mentiras ou dá azo a alguma investigação judicial fraudulenta pode responder desde uma calúnia até a uma denunciação caluniosa.
E de repente, ciente que qualquer calouro forense já aprende isso, o maior mandatário do planeta repele uma premissa básica do Estado Democrático de Direito. E o faz reiteradamente. Não sei se acredita piamente que uma mentira dita mil vezes se torna verdade.
Realmente não entendo.
Assim como não entendo também, às vésperas de nossas Eleições Municipais, nossos compatriotas mais preocupados com quem não 'está nem aí' conosco, independente de quem ganhar (ou vocês realmente acham que Joe Biden morrerá de amor por nós?! Acordem!), do que com a própria paróquia: vejo debates acalorados no tribunal da inquisição virtual sobre o destino yankee e a maioria dos interlocutores sequer tem ideia de quem votar para prefeito e/ou vereador no próximo dia 15 de novembro.
A pergunta que fica é: o mundo ficou esquizofrênico ou sempre foi?! (seria a diferença que agora nada fica oculto e como bem profetizou Umberto Eco nas redes sociais, "qualquer idiota se acha portador da verdade"). E é uma gritaria sem fim. Sente-se a raiva do digitar em cada postagem! Um ódio sem fim. Todos que pensam diferente de você, tornam-se inimigos.
Mas, no grito?! Não: no grito, jamais!
Tragam as evidências! Juntem as provas. Alicercem cada acusação que fizerem. Seja você presidente dos Estados Unidos da América. Seja você, meu leitor, tão importante quanto qualquer mandatário. Os tempos são estranhos... Mas sempre foram, não?!
O autor é advogado e mestre em ciência jurídica.