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Covid-19: município de Bauru discute a segunda onda

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A chamada segunda onda da Covid-19, que aflige países europeus, preocupa autoridades em Bauru. Embora a primeira onda do novo coronavírus ainda vigore, município e Estado estudam o que fazer se as contaminações voltarem a crescer em disparada. O assunto está no cerne das discussões do Centro Estadual de Contingência da Covid-19, que tem avaliado, inclusive, como será realizada a redução de leitos de Unidade de Terapia intensiva (UTI) para a Covid-19 no Estado, uma vez que a ocupação tem caído nos hospitais e a demanda de leitos para outras doenças crescido.

Para o prefeito Clodoaldo Gazzetta, a estrutura deve ser mantida como está de forma preventiva por mais cinco meses ou até que a vacina saia.

Já o Ministério Público Estadual (MPE), por meio do promotor Enilson Komono, avalia que a demanda reprimida de outras doenças em razão da pandemia pode ser até pior do que uma segunda onda (leia mais abaixo).

Desde 21 de outubro, a ocupação das UTIs em Bauru está abaixo dos 70% no Hospital Estadual (HE), que é referência regional para o tratamento da Covid-19 e possui 56 leitos de UTI para a doença do coronavírus.

O Hospital das Clínicas de Bauru, que conta com 40 leitos de enfermaria, por sua vez, também tem leitos ociosos e chegou a registrar ocupação de 10% nas últimas semanas.

COMPLEXA

A possibilidade da segunda onda e a questão de desmonte da estrutura montada para a Covid-19 nos municípios são as discussões "mais quentes" do Centro Estadual de Contingência da Covid-19, segundo o infectologista Carlos Magno Fortaleza, membro do órgão.

"Está se tomando muito cuidado com isso, é uma situação extremamente complexa. Muitos leitos Covid não são do SUS, foram contratados do setor privado. E, neste momento, começam a faltar para outras doenças. E não se justifica manter alguns locais pagando caro por leitos de UTI ociosos. Com a flexibilização, os acidentes graves de trânsito, por exemplo, voltaram", comenta Fortaleza.

"No outro lado da moeda, temos a possibilidade real de segunda onda, basta ver a Europa. Então, o que é planejado é uma redução meticulosa de leitos, deixando uma boa margem. Lentamente desativando alguns, mas mantendo a possibilidade de ativá-los de novo. Não é fácil a reativação, mas não temos como deixar 60% ou 70% de leitos desocupados com outros pacientes precisando", pondera o infectologista.

Ainda segundo ele, a maioria dos casos de coronavírus da segunda onda na Europa têm se mostrado menos graves.

QUEDA LENTA

Para Carlos Fortaleza, o fato de o Interior viver uma queda lenta dos casos de Covid-19, se comparado com a Europa - que reduziu sua curva epidemiológica em semanas, pode ser até mesmo algo positivo.

"Será que houve uma segunda onda lá porque a redução foi rápida demais? Será que essa nossa lentidão pode nos livrar de uma segunda onda? Os estudos têm se dirigido para isso", observa o médico.

PRUDÊNCIA

O prefeito Gazzetta diz que manterá esforços para que não haja nenhum desmonte na estrutura já montada para a Covid-19 enquanto não houver vacina. "Não vencemos a primeira onda ainda, nem queda acentuada de casos tivemos. Vou continuar pressionando o Estado para que não haja nenhum leito a menos, nem no HE e nem no HC. Mobilizar tudo de novo seria complicado, a explosão de casos é rápida", pontua Gazzetta.

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