Não chove em Bauru há 12 dias. A expectativa pela precipitação é alta, mas, por várias vezes, acabou frustrada apenas com nebulosidade e ventos fortes. Desde 2014, o município não registrava tão pouca chuva no período de janeiro a outubro. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) segue em alerta e informa que, caso precipitações volumosas não ocorram, ampliará o sistema de rodízio em vigor. Já há, inclusive, instabilidade na estratégia atual de abastecimento adotada pela autarquia.
No final da tarde desta quarta-feira (11), a Lagoa de Captação do Rio Batalha marcava 1,80 metro, sendo que o considerado ideal é de 3,20 metros. Vale resgatar que o nível mais baixo já alcançado pelo manancial foi próximo de 1 metro, também no ano de 2014, quando, de janeiro a outubro, choveram 716,3 milímetros.
Em 2020, até o mês passado, foram registrados 852,2 milímetros de precipitação, o menor índice desde a crise hídrica há seis anos (veja no quadro ao lado).
MAIS INTERVALO
Segundo o DAE, até a última terça-feira (10), foi possível abastecer as regiões de maneira regular, dentro do cronograma preestabelecido no rodízio. No entanto, desde ontem, o fornecimento de água começou a sofrer com instabilidades, que, segundo a autarquia, permanecerão. Só nesta quarta, foram solicitados 65 caminhões-pipa, sendo as regiões do Jardim Solange, Ouro Verde e Vila Ipiranga as com mais pedidos.
O JC tem recebido também várias mensagens e ligações com queixas da população. Ontem, foram diversas reclamações de moradores do Jardim Terra Branca, Vila Ipiranga e Independência.
Por enquanto, o rodízio permanece com intervalo de 12 horas, mas, de acordo com o DAE, isso pode ser revisto já nesta quinta-feira (12), com retorno para um espaço de 24 horas entre uma região e outra, se o tempo seco persistir.
CHUVA QUE DESVIA
Ainda que a previsão fosse de chuva para todo o Estado, meteorologistas do IPMet afirmam que seria impossível prever, exatamente, onde choveria ou não. De acordo com o Centro de Meteorologia, o mapa mostra precipitações em pontos isolados e, com esta imagem, não há previsão de chuvas em Bauru nesta semana.
O meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, afirma que foi realizado um estudo em Bauru há vários anos, onde foi constatado um fenômeno anômalo, que ocorre também em outros locais do mundo. "Algumas tempestades que vêm se deslocando para Bauru, quando chegam na área rural, bifurcam na área urbana e vão para região de Botucatu e algumas até para a Capital. São casos que não conseguimos explicar o porquê ocorrem, nem quando vão ocorrer".
Um pesquisador da Nasa também identificou situação semelhante em Nova York e iniciou estudos sobre o tema há alguns anos. Inclusive, quase houve uma parceria com o IPMet para investigar o fenômeno. "A atmosfera não é 'comportadinha'. É um gás que sofre com as queimadas, com o lixo exposto, com o ambiente local como um todo", completa.
PREVISÃO DO TEMPO
A previsão continua de tempo seco, sem chuvas até domingo (15) em Bauru. Para esta quinta (12), é esperada a máxima de 32 graus e mínima de 20 graus, o que se repete na sexta-feira (13). Já no sábado (14), os termômetros podem marcar até 33 graus, com mínima de 20. No domingo, a previsão é de que a temperatura se eleve até os 34 graus, com mínima de 21.
SERVIÇO
Caminhões-pipa permanecem à disposição para o abastecimento das regiões do rodízio por meio do 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou (14) 3235-6140, para celulares.