Brasília - Diante da vitória do democrata Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos, membros do governo brasileiro passaram a manifestar preocupação com a possível reversão de apoios dados pelo presidente Donald Trump ao presidente Jair Bolsonaro.
Os dois pontos que hoje geram maior receio entre assessores de Bolsonaro é o processo de adesão à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e a designação do Brasil como aliado preferencial extra-Otan.
Os dois pleitos são considerados estratégicos pelo ministro Paulo Guedes (Economia) e pelos militares no governo, respectivamente. Trump endossou a candidatura do Brasil para entrar na OCDE em março do ano passado e reafirmou o compromisso em janeiro de 2020.
A avaliação na equipe de Bolsonaro é que Biden poderia retirar ou congelar o apoio dado ao governo brasileiro, sem fazer esforços para que o processo de adesão siga adiante .
Outro ponto é a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que tem aliados estratégicos militares dos EUA. Pelo acordo, o Brasil passaria a ter acesso a, por exemplo, compra de equipamentos com isenção dentro da Lei de Exportação de Armas que rege a venda de produtos sensíveis. Militares ouvidos consideram provável que Biden retire ou ao menos paralise projetos envolvendo o Brasil no âmbito da aliança.
Outro sonho de Guedes, um acordo de livre comércio com os EUA, fica mais longe de ser alcançado com Biden na Casa Branca. Um entendimento do tipo já era improvável devido a regras do Mercosul que proíbem a celebração de tratados tarifários por membros de forma individual.