Sem rascunhos, sem moldes. Apenas o movimento das mãos guiadas por toda liberdade que a criatividade proporciona. É assim que surgem as pinturas do artista plástico bauruense, Matheus Pinheiro, mais conhecido como Fino. Aos 29 anos, afirma que o recente período de pandemia foi um momento pessoal de entrega total para a arte, em pinturas e sons - já que também atua como DJ.
Além das artes de propriedades privadas - nas quais ele se dedicou, ainda mais, durante o período de isolamento -, o destaque deste ano foi sua experiência em pontos turísticos da cidade, com as escadarias em frente ao Parque Vitória Régia. "Foi diferente. Como não tem proposta comercial, são temas livres", conta. "Eu estava pintando o pontilhão da Duque de Caxias com a Nações Unidas, quando o atual vice-prefeito, Toninho Gimenez, disse que gostava muito e sugeriu que eu pintasse esses pontos com tintas que ele mesmo forneceria", completa.
ARTE INTERATIVA
Foi numa tarde de sábado, no último dia 24, que as escadarias começaram a ganhar os traços e as cores da criatividade do artista. "Se eu não me engano, na primavera, um Jacarandá roxo dá flores ao lado da escada. Isso me trouxe a inspiração de usar as cores roxa e rosa. Ano que vem, quando as flores caírem pelo chão, vai parecer que o grafite está escorrendo por toda a grama. Já na escadaria laranja, a cor foi escolhida por alguma flor próxima que tinha esses tons", comenta.
Fino ainda salienta que a possibilidade de fazer arte para revitalizar um espaço público foi uma experiência diferenciada não só para ele, mas para quem passa pelo local. "Ficou uma arte interativa. É totalmente diferente de uma pintura em um muro. As pessoas podem passar e andar pela arte vendo todas as sua partes. Isso é muito legal", destaca lembrando que, infelizmente, o local não era bem utilizado.
AMOR ANTIGO
Designer por formação, a relação com a arte, cores e texturas é um amor antigo. O grafite, por exemplo, entrou para história ainda na adolescência, aos 16 anos. "Comecei a pintar na rua, em muros na região onde eu morava, no Camélias. Um dia o síndico do condomínio da minha mãe - que gostava das minhas artes - pediu para que eu pintasse algumas partes de lá e foi meu primeiro trabalho remunerado", relembra.
Hoje, Fino se dedica integralmente aos trabalhos artísticos como DJ e artista plástico e enxergou, neste momento de isolamento, ainda mais motivos para se aprofundar, além de somar a arte à solidariedade. "Esse ano foi sensacional porque eu desacelerei. Então, passei a me dedicar totalmente para arte. É muito bom ver o retorno das pessoas em relação ao que eu faço", conta. "Parte do que recebi em algumas artes eu doei para o projeto 'Esquadrão do Bem', em uma proposta de também poder ajudar as outras pessoas, porque tem muita gente precisando", conclui.