Tribuna do Leitor

Políticos bauruenses de antanho

Luís Paulo Domingues
| Tempo de leitura: 2 min

O prefeito Álvaro de Sá tomou um tiro no pé em 1910, durante a apuração da eleição do Hermes da Fonseca contra o Rui Barbosa. Isso foi na esquina da rua Bandeirantes com Araújo Leite. No mesmo episódio, José Lopes de Souza, um dos primeiros comerciantes de Bauru - desde 1888 -, tomou 11 tiros e não morreu, porque foi atendido a tempo na farmácia que existia ao lado. Era uma treta entre as facções dos coronéis bauruenses, cuja liderança na época era do Coronel Azarias Leite. Álvaro de Sá era genro do Coronel José Ferreira de Figueiredo, dono da Fazenda Val de Palmas. Nesse dia o sogro fretou um trem especial da Val de Palmas para São Paulo, que passou direto por Bauru, sem parar, e o prefeito nunca mais voltou. Meses depois, o Coronel Azarias Leite foi assassinado em uma emboscada perto da ponte que passa em cima do Rio Bauru, no final da rua Araújo Leite, quando chegava de sua fazenda Aureópolis a cavalo, bem no dia em que iria fundar o Banco de Custeio Rural em Bauru. Ele também foi o responsável pela ferrovia Noroeste começar e ter sede em Bauru.

O mais interessante é que depois da morte do Azarias rolou um gap no poder. Tinha aquele monte de coronel poderoso, mas quem seria o líder? A facção do Azarias queria que o Coronel Gustavo Maciel liderasse, mas ele preferiu se juntar ao grupo do Coronel Rodolfo Negreiros e do deputado Luís Vicente Figueira de Mello. Então, o Coronel Manuel Bento da Cruz, que era o chefe do distrito de Penápolis - que ficava praticamente no meio da selva paulista -, fretou um trem de Penápolis a Bauru, com banda de música e centenas de pessoas a bordo.

Chegou jogando fogos e se tornou o novo prefeito de Bauru logo em seguida. Dizem que Manuel Bento da Cruz é um dos responsáveis pela possível excomunhão de Bauru por parte da Igreja Católica. Isso porque o bispo não deixou derrubar a capela que existia em cima da rua Batista, e ele mandou demolir a marretadas de madrugada.

Depois disso a zona continua. Vem a época da treta entre o Gustavo Maciel, o Virgílio Malta e o Otávio Pinheiro Brisola. Tudo coronel. O Gustavo Maciel chegou a mandar roubar todas as atas da Câmara e fundou uma Câmara paralela que funcionava no jardim da praça Rui Barbosa. Quando o jornalista Carlos Marques denunciou o fato em seu jornal, o Coronel Maciel entrou dentro da redação com o jornal na mão e disse: "Agora você vai engolir o que escreveu!". Tomou um tiro do Carlos Marques na barriga, mas não morreu.

O coronelismo, pelo menos o clássico, dava seus últimos passos em Bauru quando o prefeito Capitão Gomes Duarte foi assassinado em plena rua Batista de Carvalho.

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