Nacional

Ministro diz ser único representante político das Forças Armadas

Estadão Conteúdo
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Brasília - O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica divulgaram neste sábado uma nota oficial conjunta em que tentam superar, no meio político e entre os militares, a avaliação de que há um descolamento e uma tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o comando das Forças Armadas. O texto destaca "a característica fundamental das Forças Armadas como instituições de Estado", diz que isso "em nada destoa do entendimento do governo e do Presidente da República" e ressalta que o "apreço" do presidente pelas Forças é "correspondido".

"O Presidente da República, como Comandante Supremo, tem demonstrado, por meio de decisões, declarações e presença junto às tropas, apreço pelas Forças Armadas, ao que tem sido correspondido", cita a nota.

O documento, assinado pela cúpula das três Forças e o ministro, fecha uma semana marcada por declarações do comandante do Exército, Edson Leal Pujol, que buscaram distanciar as Forças Armadas de disputas no governo e deixar claro que elas não têm interesse em participar da política. "Não queremos fazer parte da política governamental ou do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre em nossos quartéis", disse Pujol na quinta-feira durante evento do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa, do qual participaram os ex-ministros da Defesa Raul Jungmann e do Gabinete de Segurança Institucional general Sérgio Etchegoyen. O governo Bolsonaro tem forte presença militar em várias áreas, inclusive na articulação política com o Congresso, tarefa executada pelo general Luiz Ramos. À frente da Saúde, que coordena as ações contra a pandemia do novo coronavírus, também está outro militar, o general Eduardo Pazuello.

BOLSONARO

Pujol voltou a se manifestar em um seminário organizado pela Escola Superior de Guerra. "Somos instituições de Estado, não somos instituição de governo, não temos partido. Nosso partido é o Brasil", disse. 

Depois da nova manifestação de Pujol, Bolsonaro sentiu necessidade de lembrar que fora ele quem nomeara Pujol para o cargo em uma espécie de "chamado de unidade" às fileiras. Bolsonaro escreveu nas redes sociais: "A afirmação do General Edson Leal Pujol (escolhido por mim para Comandante do Exército), que 'militares não querem fazer parte da política', vem exatamente ao encontro do que penso sobre o papel das Forças Armadas no cenário nacional."

REFORÇO

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, também reforçou esse entendimento. "Política não pode estar dentro do quartel. Se entra política pela porta da frente, a disciplina e a hierarquia saem pela dos fundos. O comandante do Exército coloca claramente o que é a nossa posição", destacou Mourão. Segundo ele, as Forças Armadas sofreram, antes de 1964, com uma politização "que só serviu para causar divisão".

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