O voto feminino no Brasil foi conquistado em 1932 e incorporado à Constituição de 1934 como facultativo. Na época, Antonia Amorim Karg era adolescente. O direito segue sendo exercido por ela atualmente, aos 99 anos. Moradora de Bauru, a eleitora não abre mão de votar. Nem mesmo a pandemia de Covid-19 a assusta. Acompanhada do filho, o também aposentado Günther Karg Júnior, de 64, a idosa nunca perdeu uma eleição sequer e foi às urnas, na manhã deste domingo (15), na Emeii Wilson Monteiro Bonato, no Jardim Aeroporto.
Perguntada sobre o que a motiva, após tantos anos e com a idade que tem, a continuar participando do pleito, ela é direta: "Para eu poder cobrar depois". "Como vou dar palpite, questionar os problemas, se eu não fizer a minha parte e votar? Espero que cumpram o que prometeram", destaca a idosa, que segue com uma memória invejável.
Antonia reside em Bauru desde que casou, há 66 anos, mas nasceu em Ourinhos (SP), na Fazenda Furnas, na divisa com o Paraná. Foi lá que estudou e lembra detalhes, como se tivessem ocorrido há pouco tempo, sobre a Revolução de 32.
Viúva, mãe de dois filhos, avó de cinco e bisavó de duas crianças, ela comenta que o seu primeiro voto foi em Getúlio Vargas, na disputa presidencial. "Eu me lembro muito bem deste dia. Foi na época do Armando de Salles Oliveira, que era o interventor federal em São Paulo", recorda.
A aposentada ainda aconselha os mais jovens, sobretudo, os que completaram 16 anos e vão às urnas pela primeira vez. "Votem em pessoas idôneas, que não possuem histórico de corrupção. Pesquise, conheça o seu candidato. Escolha pessoas de Bauru, que amem isso aqui e sejam capazes de trabalhar de verdade pela nossa cidade", finaliza.
Vídeo: Aceituno Jr.