Brasília - Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram os maiores índices de abstenção de eleitores no primeiro turno das eleições municipais. O número de eleitores faltosos foi 27,3% e 28%, respectivamente. A abstenção em todo o País foi de 23,1%. Era esperado um aumento, em tempos de pandemia. Mas não tanto. Nas eleições municipais de 2016, a abstenção foi de 17,5% do eleitorado de todo o país. No primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, o índice foi de 20,3%.
O resultado final da apuração também mostrou que 34,1 milhões de eleitores em todo o país não votaram. Cerca de 147 milhões estavam aptos a votar. Foram registrados 3,9 milhões de votos em branco e 7 milhões de votos nulos. Rivalizando com esse destaque negativo, mais um: a demora do processamento das urnas eletrônicas.
O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso afirmou que a demora na entrega de equipamentos por parte da empresa Oracle, em razão da pandemia, impediu a realização de testes prévios no sistema. Os equipamentos, segundo ele, deveriam ser entregues em março, mas chegaram somente em agosto.
DECISÕES APERTADAS
E foi justamente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (leia mais abaixo) que as decisões de quem seria o segundo colocado para disputar o próximo turno ficaram indefinidas até a boca de urna. Nem mesmo as pesquisas arriscaram e davam sempre empate técnico. De certo só o fato de que São Paulo via o favoritismo do atual prefeito Bruno Covas (PSDB) enquanto o Rio de Janeiro tinha a volta de Eduardo Paes como certa para uma nova disputa. E só. O nome do segundo colocado ficou mesmo para ser definido nas urnas. E a distância do atual prefeito Marcelo Crivella (21%) ficou bem nítida, contra Martha Rocha (PDT) e Benedita Silva (PT) com 11% da preferência. Ele teve o apoio do presidente Jair Bolsonaro.
Nesta segunda-feira, uma das principais lideranças de esquerda da cidade, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) defendeu o "voto crítico" em Paes a fim de impedir uma vitória de Bolsonaro na cidade.
PORTO ALEGRE
A candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manuela D'Ávila (PCdoB) que liderava as pesquisas, ficou em segundo lugar e deve enfrentar com pouco apoio de adversários o segundo turno das eleições, disputado com Sebastião Melo (MDB). Nos bastidores, apenas a candidata Fernanda Melchionna (PSOL) vai ampará-la. Em live com a imprensa na noite desta segunda, Manuela disse que iria procurar "imediatamente" Juliana Brizola (PDT), Melchionna e Montserrat Martins (PV). E destacou o índice alto de pessoas que não foram votar.
Melo destacou a surpresa (as pesquisas o davam 15 pontos atrás dela) e o caráter conservador de sua campanha "sem promessas vãs".
CAPITAIS
Sete capitais brasileiras elegeram, neste domingo (15), seus prefeitos pelos próximos quatro anos. Outras 18 capitais terão segundo turno daqui a duas semanas, no dia 29.
Ao todo, 25 das 26 capitais brasileiras votaram para prefeito. A capital federal, Brasília, não tem prefeito; já as eleições em Macapá foram adiadas para dezembro por causa do apagão no Amapá. Porto Alegre, com Nelson Marchezan Junior foi a única capital a não ter o atual prefeito na disputa.
Confira as disputas nas prefeituras das capitais para o segundo turno na página 17.