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Água: bairros fazem abaixo-assinado

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Sem água por até quatro dias, moradores do Centro, Granja Cecília, Vila Independência, Jardim Terra Branca e Vila Paraíso participam de um abaixo-assinado contra a crise hídrica e o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Os organizadores querem entregar o documento ao Ministério Público (MP) ainda nesta semana. Os munícipes almejam que o órgão ingresse com uma ação civil pública para que a situação volte ao normal o mais rápido possível.

Idealizado pela coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, Rose Lopes, o abaixo-assinado começou a circular nesta terça-feira (17). "Amigos, familiares, vizinhos e os próprios assistidos pela instituição não param de reclamar de falta d'água. Por isso, alguém precisava se mexer. Não basta sentar e esperar chover", argumenta.

Ainda de acordo com Rose, ela ouviu relatos de pessoas que ficaram até quatro dias seguidos com as torneiras secas. "A água chega muito fraca e não consegue subir para as caixas. Há cerca de um mês, eu sugeri que o município contratasse caminhões de transporte de líquido, não necessariamente caminhões-pipa, que não dão conta da demanda sozinhos, mas ninguém me ouviu", acrescenta.

Uma das moradoras indignadas com o atual cenário é a farmacêutica bioquímica Dora Lúcia Marin Comini, de 54 anos. Ela vive com o filho e o marido na quadra 8 da rua Rafael Nicolau Martins Oliares, na Vila Santista.

Segundo a mulher, a família fica de três a quatro dias sem água. "Eu encho um galão no meu trabalho e levo para casa. Mesmo quando o líquido chega, na intenção de economizar, nós lavamos a louça, a roupa, o quintal e o banheiro com aquilo que eu peguei na farmácia. Vez ou outra, nós também compramos comida fora", relata.

O pedreiro Euder Teixeira, de 43, enfrenta o mesmo problema, porém, com um agravante: ele cuida do irmão mais velho, Uender Teixeira, de 47, que está acamado desde junho deste ano.

Euder vive na quadra 2 da rua Edson Fabiano Rodrigues, no Granja Cecília. "O meu irmão mora na periferia, mas passa boa parte do dia comigo, porque a sua casa não tem estrutura. Nós chegamos a ficar quatro dias sem água e eu precisei buscar na Gelic com um tambor. Além da correria do dia a dia, ainda tenho de me preocupar com isso", critica.

O aposentado Sérgio Francisco Lopes Palhaci, de 62, vive na quadra 17 da rua Ezequiel Ramos, na Vila Cardia. Ele se queixa que, desde a quarta-feira passada (11), a água atrasa um ou dois dias para chegar às torneiras. "Os meus vizinhos reclamam do mesmo problema", constata.

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria de imprensa do DAE informa que a falta d'água está relacionada ao rodízio iniciado pela autarquia em função da queda acentuada do nível da Lagoa de Captação do Rio Batalha.

O DAE alega que aguardará, oficialmente, uma eventual notificação do MP para se manifestar. A assessoria reforça que questões semelhantes foram respondidas ao órgão no início do rodízio.

A autarquia esclarece, também, que segue com as ações para diminuir a área atendida pelo Batalha, como a entrega de três poços entre 2019 e 2020. No ano que vem, a instituição pretende perfurar outro na região da Praça Portugal.

Quanto aos questionamentos dos bairros Granja Cecília e Vila Santista, o departamento alega que estas regiões foram abastecidas até as 6h de segunda-feira (16) e, de acordo com o cronograma vigente, voltarão a ser atendidas nesta quinta (19), a partir das 6h.

Em consulta ao 0800, o DAE diz que o imóvel da rua Edson Fabiano Rodrigues, no Granja Cecília, solicitou um caminhão-pipa em 14 de outubro e foi atendido no mesmo dia. Após esta data, não houve mais pedidos para o endereço.

Em relação à rua Rafael Nicolau Martins Oliares, não foi solicitado, segundo a autarquia, qualquer pipa desde o início do rodízio. Houve apenas um pedido atendido no imóvel vizinho.

O DAE também não registrou solicitações para a casa da rua Ezequiel Ramos.

Ainda segundo o departamento, se comparado ao mesmo período de 2014, quando houve uma estiagem prolongada e problemas de abastecimento, as precipitações de 2020 são muito inferiores. O acumulado de setembro e outubro de 2014 chegou a 162.3 milímetros. Enquanto isso, no mesmo período de 2020, choveu 48.3 milímetros.

A autarquia destaca que os caminhões-pipa permanecem à disposição por meio dos números 0800-7710195 (ligações de telefone fixo) e (14) 3235-6140 (ligações de celular).

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