Se a função da fotografia "de parede" é levar o espectador a uma pequena viagem e proporcionar um descanso para o olhar, como acredita o fotógrafo Olicio Pelosi, 70 anos, ou se funciona como um portal entre o real e a imaginação e até mesmo como uma forma de resistência, como explica a fotógrafa e doutora em Comunicação Erica Franzon, 45 anos, o que salta aos olhos, à primeira vista, é a beleza concretizada nessas fotos - que substituem as pinturas e desenhos em quadros espalhados pelos ambientes.
Há 10 anos na trajetória das imagens, Franzon passou a enxergar outros sentidos na fotografia a partir de seus estudos no doutorado, que abordou as releituras criadas a partir da foto de Aylan Kurdi, o menino sírio morto em uma praia da Turquia. "Era difícil lidar com o tema e eu sofri muito durante a produção dessa tese. O fotojornalismo pode ser muito duro às vezes e, em contrapartida, busquei compartilhar a poética de um cotidiano de beleza e delicadeza", conta.
Foi quando, no começo deste ano, Erica passou a se dedicar ao que ela chamou de "Fotografia na Parede", projeto que busca decorar ambientes com imagens do dia a dia. "São registros que fiz durante viagens a alguns países como Alemanha, Itália e Portugal. O objetivo não é mostrar pontos turísticos, mas transmitir aquilo que me afetou no momento da foto", afirma Franzon. "A gente não precisa transformar apenas através do que é feio e duro. O belo é importante e a concretização desse tipo de fotografia também é um instrumento de transformação", finaliza.