A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, lamentou a morte de um homem negro na véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira (20). "As imagens são chocantes e nos causaram indignação e revolta". O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, pediu durante evento organizado pelo órgão pelo Dia da Consciência Negra, um minuto de silêncio em homenagem a João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos. "Independentemente de versões, o que nos deve preocupar é a violência exacerbada. Toda violência é desmedida e deve ser banida da nossa sociedade", disse Fux sobre o crime. Eles foram apenas duas das autoridades, celebridades que se indignaram com a forma como a morte ocorreu. E mais: com comoção pela data e provocada por dois homens brancos contra um negro.
MOURÃO
Mas o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou lamentar a morte, mas disse que o ocorrido não pode ser classificado como um episódio de racismo. "Digo com toda a tranquilidade para você: não existe racismo no Brasil", afirmou.
MARCHA E DEPREDAÇÃO
As marchas e atos já programados para celebrar o dia tiveram como alvo as lojas da rede. Em Porto Alegre, o ato foi em frente ao Carrefour onde João Alberto morreu. Houve depredação e a polícia usou gás para dispersar os manifestantes. No Rio de Janeiro e em Brasília, manifestantes entraram em unidades da rede. Em São Paulo, houve depredação em uma das lojas.
Em vez de seguir ao Theatro Municipal, como é de costume na marcha, o grupo saiu em caminhada a uma unidade Carrefour. Às 18h45, o carro de som e os manifestantes chegaram em frente à loja. Alguns começaram a atirar pedras contra a loja, que fechou as portas. Com a depredação, o carro do som com os representantes das entidades negras deixou o local. A Polícia Militar foi chamada e impediu a continuidade do protesto.