De uns tempos para cá, o termo burnout passou a ser usado com assiduidade até nos grupos de WhatsApp, o novo papo de botequim. A palavra nunca foi tão falada e os sintomas, sentidos. O colapso físico e mental, causado principalmente por excesso de trabalho, tem se tornado uma frequente entre os millennials, aqueles que nasceram entre 1980 e 1996, que não à toa receberam o apelido de "geração burnout". São pessoas que, apesar de darem tudo de si, ainda se sentem cobrados até chegarem ao ponto de pifar.
Essa característica geracional estimulou a escritora americana Anne Helen Petersen a publicar, ano passado, o artigo "Como os millennials se tornaram a geração burnout", que já chega aos 10 milhões de leitura e virará um livro em breve. No texto, ela conta que "você sente o burnout quando esgota todos os seus recursos internos, mas não consegue se libertar da compulsão de continuar". Tudo começa com empregos que cobram performances irreais e se intensifica diante da pressão em performar bem na vida on-line.
O livro "Burnout: O segredo para romper com o ciclo de estresse", de Emily Nagoski, doutora em medicina comportamental, e Amelia Nagoski, sobrevivente da síndrome, é outro que está fazendo sucesso e chega este mês no Brasil pela editora Best-seller. As irmãs perceberam que, durante a quarentena, o distúrbio atacou mais mulheres, "que muitas vezes trabalham em jornada dupla e são submetidas à pressão estética e à busca por perfeição em todos os aspectos da vida".
As irmãs comentam que "o livro é indicado para todas que já se sentiram exaustas por tudo o que precisam fazer e que, mesmo assim, pensam que não estão fazendo o suficiente".
De acordo com especialistas, a cobrança por tornar cada segundo da vida produtivo, de fazer mil coisas ao mesmo tempo e não se dar a chance de praticar o ócio levam ao burnout. O tempo que a tecnologia poupa de trabalho, definitivamente, não tem sido convertido em qualidade de vida. Com a pandemia, tudo foi ainda mais acentuado: da insegurança ao período em frente às telas, fazendo mais pessoas faiscarem.
"O trabalho remoto abriu demandas e cobranças que não eram tão presentes, como se a pessoa pudesse estar onipresente em diversas frentes. Não tivemos uma fase de adaptação. A transição precisa de tempo e de recursos emocionais para ser de sucesso. Hoje, ficar sem bateria no celular por duas horas acarreta em sensações de abstinência, como se fosse a falta de uma substância química no organismo", explica Leonardo Lessa Telles, diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB).