Porto Alegre - A Polícia Civil prendeu mais uma pessoa ligada à morte de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado até a morte no Carrefour, em Porto Alegre. A prisão preventiva da fiscal Adriana Alves Dutra ocorreu na tarde desta terça-feira (24). É ela quem aparece na filmagem vestindo uma blusa branca ao lado dos agressores.
"Foi verificada a participação decisiva dela porque depois se verificou que ela tinha posição de comando. A lei contempla como co-autora a pessoa que tem poder de evitar e não o fez", disse a delegada Vanessa Pitrez, do Departamento de Homicídios.
Segundo Pitrez, ela pôde ser presa porque é eleitora de um município onde não haverá eleição no próximo domingo.
Esta é a terceira prisão do caso. Os dois seguranças terceirizados do Carrefour, da empresa Grupo Vector, foram presos em flagrante após a morte. A Justiça converteu a prisão de ambos em prisão preventiva.
"Ela tinha o poder de fazer cessar as agressões por ser superior imediata dos seguranças", disse. Ela é investigada por homicídio doloso triplamente qualificado. Inicialmente, Adriana não foi localizada em sua residência. Ela foi informada por telefone, por meio de sua defesa, do mandado de prisão expedido e se apresentou à polícia.
Adriana prestou depoimento e relatou episódios anteriores de conflito com João Alberto no Carrefour. A polícia investiga se de fato há incidentes anteriores.
Os policiais também apuram se a funcionária mentiu no depoimento dado no mesmo dia da morte de João Alberto. Ela disse que um cliente tentou apaziguar a agressão. O suposto cliente, porém, era o funcionário temporário Giovane Gaspar da Silva, policial temporário que estava em seu primeiro dia de "bico" no mercado.
A fiscal pode responder, entre outros crimes, por falso testemunho, se ficar comprovado ao final do inquérito que ela mentiu.
OUTRO CASO
Dois ex-seguranças de supermercado, que já haviam sido condenados em primeira instância por lesão corporal, foram sentenciados a mais de dez anos cada um, pelo crime de tortura, nesta terça-feira (24), segundo o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
Ambos são apontados pela Justiça como envolvidos espancamento de um menor de 17 anos, com um chicote, em agosto do ano passado, em uma sala do supermercado Ricoy, na Vila Joaniza (zona sul da capital paulista). Os dois foram desligados de suas funções, já à época do crime, pela empresa que fazia a segurança do mercado.
As cenas foram registradas em vídeo. O advogado Fermison Guzman Moreira, que defende Waldir Bispo dos Santos, 51 anos, afirmou ao Agora que pretende entrar com recurso contra a decisão. O mesmo pretende fazer Flavio Munhoz Assis, defensor de David Oliveira Fernandes, 38.