Com previsão para chegar ao mercado em dezembro deste ano, o antisséptico Detox Pro começou a ser fabricado nesta terça-feira (24). Pesquisas multicêntricas mostraram que o produto, conforme o JC noticiou, consegue inativar 96% do vírus da Covid-19 que fica alojado na boca, na garganta e no nariz das pessoas infectadas, além de reduzir a progressão e a gravidade da doença. O antisséptico custará, em média, R$ 30,00. Na manhã de ontem, os profissionais envolvidos com os estudos e a produção lançaram a substância, oficialmente, durante uma coletiva de imprensa virtual.
De acordo com o cirurgião-dentista e pós-doutor pela USP Fabiano Vieira Vilhena, tudo começou quando a Dentalclean, empresa responsável pela produção do Detox Pro, resolveu criar um produto que reduzisse os microrganismos da boca, combatendo o mau hálito. A pandemia, porém, incrementou os planos.
Segundo o pesquisador, as instituições envolvidas - a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP de São Paulo, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR) - se responsabilizaram por comprovar a eficácia do produto contra a Covid-19. "Como constatou-se que a substância inativa 96% do vírus, ela também tem condições de atuar na prevenção, afinal, evita a propagação de uma grande carga viral para outras pessoas", observa.
Em outubro, o antisséptico, que não possui efeitos colaterais, passou pela aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em seguida, foi submetido a outro estudo laboratorial e a um ensaio clínico controlado randomizado triplo-cego.
Neste último caso, que envolveu a FOB/USP, o Hospital Estadual (HE) de Bauru e o Laboratório de Imunologia da UEL, os pesquisadores selecionaram 91 pacientes internados no HE com suspeita de Covid-19. Do total, 41 testaram positivo e foram divididos em dois grupos. Uma parte recebeu o antisséptico e a outra, um placebo.
De acordo com Paulo Sergio da Silva Santos, professor da FOB/USP e coordenador dos estudos na unidade bauruense, o resultado foi promissor. "Quem teve acesso à sustância negativou a carga viral e diminuiu o tempo de internação pela metade, em comparação com aqueles que usaram o placebo", complementa.
Ainda segundo Santos, o indicado é utilizar a substância cinco vezes ao dia durante um minuto. As pessoas também devem fazer o bochecho aliado ao gargarejo, contemplando a boca, a garganta e o nariz.
DISTRIBUIÇÃO
Os frascos do Detox Pro, de 600 mililitros cada, serão distribuídos nas redes de varejo, alimentar, fármacos etc, como revela o gerente nacional de Negócios da Dentalclean, Giuliano Castro. "Para o primeiro trimestre de 2021, está previsto o lançamento do gel dental e do spray bucal com o mesmo efeito. Ao todo, nós pretendemos fabricar, dentro deste período, 12 milhões de unidades dos três tipos de produtos", pontua.
Além disso, ele esclarece que, inicialmente, a empresa atenderá ao mercado nacional, mas pretende disponibilizar o licenciamento da fórmula para que os países interessados possam produzir o antisséptico.
O investimento da Dentalclean em todo o processo girou em torno de R$ 10 milhões.