Estamos vivendo em pleno século XXI, quando entendíamos de maneira lúcida que as relações humanas estariam construindo um mundo de respeito, de sobriedade, de partilha. No entanto, em um dia muito triste, fechando o mês da Consciência Negra, nos deparamos com mais um ato racista propagado nos meios de comunicação social.
Desejaríamos terminar este mês com uma proposta de avanço. Mas, infelizmente, tivemos a perseguição a uma vereadora negra, recém-eleita no sul do país, e também o assassinato de um homem negro. E, agora, nossa cidade entra para estas marcas que representam um retrocesso absurdo das relações humanas, quando alguém afirma publicamente expressões quanto a "cor" de uma pessoa, bem como expressões como "senzala". A tristeza poderia tomar conta do nosso coração, no entanto, o que sentimos agora é a necessidade premente de continuarmos nossa luta por um mundo em que caibam todas as pessoas, independentemente da cor de sua pele.
O despertar da luta continua ao ver tantas pessoas se manifestando pela vida, pela inclusão e pelo respeito. Acredito que a prefeita eleita, Suéllen, já passou por muitas manifestações de preconceito e de racismo e não será esta que irá silenciar sua voz. No entanto, o ato praticado deve ser punido dentro do rigor da norma legal.
Nesse sentido, assim que for identificado o autor ou autora, estaremos encaminhando relatório para a Presidência do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, bem como será solicitado o acompanhamento da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado de São Paulo. Vidas negras importam; e Bauru mostrou que não aceita a visão de uma sociedade dividida, mas unida, para que todos possam viver suas vidas com dignidade e respeito.
O autor é membro recém-constituído do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo.