O estudo feito pela consultoria contratada pela Caixa para estabelecer o modelo da concessão do lixo em Bauru considerou apenas a destinação final, sem envolver a coleta e o transporte, pois a prefeitura quer manter esta parte do serviço com a Emdurb. Já na destinação, a possibilidade de inclusão de outros formatos acabou descartada por causa de valores, aponta documento emitido pela empresa ao município, a qual o JC teve acesso.
O consórcio formado pelas empresas Ernst Young, Lacaz e Ziguia apresentou uma posição para a Prefeitura de Bauru sobre a possibilidade de uso de outra tecnologia, a de incineração, o que abriria até mesmo a alternativa de um uso do material para produção de energia, por exemplo - o que foi defendido na Câmara, no mandato passado, pelo vereador José Roberto Segalla (DEM).
A proposta, contudo, foi considerada muito onerosa pela consultoria. "Apesar da incineração apresentar como vantagem a necessidade de áreas menores para sua instalação, um potencial de recuperação de energia superior aos aterros sanitários e a redução da emissão de odores e ruídos, essa tecnologia possui um alto custo de instalação, operação e manutenção", diz trecho do material da consultoria enviado para a prefeitura, e que foi discutido em reunião no mês passado, pouco antes da abertura da consulta pública.
VALORES
Para a implantação do modelo proposto em Bauru, com unidades de compostagem, o custo é de R$ 140 milhões, sendo pouco mais de R$ 52 milhões na implantação das unidades. O restante entraria no estudo e construção de um novo aterro, áreas de transbordo e galpões de triagem de resíduos. Já o modelo com incineração teria um investimento de R$ 561,2 milhões, sendo R$ 484 milhões apenas na criação da unidade de incineração.
Já o custo operacional estimado para o modelo proposto em Bauru é de R$ 218,6 milhões, enquanto o de incineração ficaria em R$ 716,7 milhões, também de acordo com a consultoria. A proposta apresentada de compostagem está em consulta pública e precisará de uma tarifa, o que já gerou forte reação de moradores na internet, após a publicação de reportagem do JC na edição de ontem da projeção dos valores, que variam de R$ 6,30 a R$ 598,17 em imóveis residenciais, com valores distintos em imóveis comerciais, industriais e públicos. Em alguns casos, será possível pedir a isenção da tarifa, que será calculada de acordo com o consumo de água.
A prefeitura vai precisar da aprovação de um projeto de lei na Câmara autorizando a concessão, o que só entrará em votação no ano que vem, e depois um novo projeto com o modelo definido, para permitir a licitação na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, para um período de 20 anos de concessão.