Em uma operação inédita na região, por unir as polícias Federal, Civil e Militar, 13 pessoas foram presas, nesta quarta-feira (2), em Bauru, Pederneiras e Ponta Porã (Mato Grosso do Sul). Financiados por um agiota, os acusados compravam e distribuíam drogas da cidade sul-mato-grossense para os dois municípios do entorno da sede da PF local, fato que motivou o nome da ação: Neighborhood - do inglês, vizinhança. A polícia não divulgou o nome dos envolvidos.
Delegado-chefe da Polícia Federal em Bauru, Ênio Bianospino explica que as investigações começaram há seis meses. Na prática, um casal que morava perto da PF fazia o contato com o fornecedor, em Ponta Porã, para encomendar as remessas de entorpecentes daquela região.
Os dois, muitas vezes, usavam um agiota, também de Bauru, como financiador. "Ele foi preso, afinal, investia o seu capital no tráfico de drogas, consciente de que o dinheiro serviria para tal finalidade", complementa.
De acordo com Bianospino, as substâncias ficavam armazenadas no Jardim Niceia, situado às margens da rodovia. "De lá, elas eram distribuídas por vários pontos de Bauru. Outra parte seguia para Pederneiras, porque um dos traficantes tem uma namorada por lá. Ele abastecia o bairro C-5 daquela cidade", acrescenta.
Ontem, as polícias cumpriram 13 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão, que foram expedidos pela 3.ª Vara Criminal da Comarca de Bauru.
Das 13 pessoas com a prisão decretada, nove foram localizadas. Porém, durante as buscas, houve três autos de prisão em flagrante em Bauru e outro em Ponta Porã, totalizando 13 encarcerados. Em Pederneiras, as polícias lavraram quatro Termos Circunstanciados por posse de drogas.
A maioria dos presos tem, em média, 30 anos e pouco dinheiro. "O único que possui maior poder aquisitivo é o agiota. Ele, inclusive, passeava pela cidade com carros importados", observa.
Ao longo das investigações, as polícias fizeram abordagens, fotografias, filmagens e interceptações telefônicas. O trabalho culminou em cinco flagrantes e oito prisões antes de a operação se tornar pública.
De lá para cá, foi apreendida quase 1 tonelada de entorpecentes - predominantemente, maconha. Além das drogas, as polícias ficaram com celulares, dinheiro, anotações e notas promissórias.
Os homens presos em Bauru e Pederneiras serão encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Já as duas mulheres, à Penitenciária Feminina de Pirajuí.
FORÇA-TAREFA
Delegado da Civil, em Pederneiras, Marcelo Bertoli Gimenes informa que a ação contou com a ajuda de 30 policiais civis e dez viaturas. "Homens da CPJ e da Dise, em Bauru, além de policiais de Lençóis Paulista, também foram deslocados para a cidade", reforça.
Comandante do 13.º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), órgão vinculado à PM, o tenente-coronel Ézio Carlos Vieira de Melo frisa que nove equipes da instituição e quatro da Força Tática contribuíram para a operação. "Nós usamos, ao todo, 45 policiais e dois cães do nosso Canil", revela.
Já a PF utilizou 64 policiais de Bauru, São José do Rio Preto, Marília e Araçatuba, totalizando 139 pessoas.
Agora, a PF tem um prazo para relatar o inquérito. Os presos passam por interrogatório e serão indiciados. Depois de analisadas as provas, a instituição apresentará um relatório final para que o Ministério Público (MP) ofereça a denúncia e, assim, a fase processual comece.