Após três dias de trabalho investigativo, a Polícia Civil, por meio do Setor de Investigações Gerais (SIG), identificou um morador de Bauru, de 37 anos, como responsável pelos ataques racistas feitos nas redes sociais contra a prefeita eleita de Bauru Suéllen Rosim (Patriota). Ele, que não teve a identidade divulgada pela polícia, também é negro e confessou o crime, mas alegou que queria "promover a discussão" sobre o racismo. Na última terça-feira (1), Suéllen esteve na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru para registrar um boletim de ocorrência (BO) e prestar depoimento. Já o outro caso, de ameaça de morte, continua sob investigação.
De acordo com o delegado responsável pela ocorrência e coordenador do SIG, Eduardo Herrera dos Santos, o autor relatou à polícia que criou um perfil falso no WhatsApp e no Facebook para publicar comentários racistas, às vésperas e logo após a votação, com o objetivo de "promover discussões" sobre o racismo. "Ele disse que percebia o preconceito contra a prefeita e tinha a intenção de instigar as pessoas a mostrarem seus pensamentos racistas. Em um primeiro momento, ele não obteve a resposta que desejava naqueles grupos. Mas, os comentários circularam e o caso tomou uma proporção que ele alega não ter imaginado que aconteceria", relata.
A partir de um perfil falso, o acusado escreveu em um comentário no Facebook: "Bauru não merecia ter essa prefeita de cor com cara de favelada comandando a nossa cidade. A senzala estará no poder nos próximos quatro anos". Em outra mensagem, veiculada por WhatsApp, disse que "essa gente de pele escura, com cara de marginal, administrando a cidade será o fim".
IDENTIFICADO
Após ser identificado, o homem foi convocado para ir à delegacia na tarde desta quarta-feira (2). "A princípio, ele negou o crime. Mas, depois, acabou confessando e detalhando como agiu. Depois de ser ouvido, ele foi liberado, pois não houve situação flagrancial para determinar sua prisão. Além disso, não há, até o momento, elementos técnicos legais para isso. Mas ele possui endereço fixo na cidade e se colocou à disposição para colaborar com as investigações", explica Eduardo Herrera, reforçando que o autor é investigado, por ora, por injúria racial e possível falsidade ideológica. Para o primeiro crime, a pena prevista é de até 3 anos de reclusão, e, para o segundo, 1 ano de reclusão.
Segundo a polícia, o acusado não pretendia se entregar à Justiça e já havia tentado ocultar alguns rastros do crime. "Apreendemos o aparelho celular dele e ali encontramos elementos que indicam sua ação. O dispositivo será submetido à perícia e, a partir do laudo, provavelmente teremos as provas necessárias para indiciá-lo", detalha o delegado responsável pelo caso.
AMEAÇA DE MORTE
Eduardo Herrera também investiga a autoria da ameaça de morte enviada a Suéllen Rosim por e-mail, na tarde desta segunda-feira (30), conforme o JC noticiou. Ele destaca que não há, até o momento, indícios de que o homem identificado pelas injúrias raciais tenha relação com este crime e ele, inclusive, nega tê-lo cometido.
"Nossas investigações continuam. Já estamos tomando providências em relação à ameaça e vamos trabalhar para chegar até o autor. Nosso objetivo não é apenas identificar, mas também evitar que crimes mais graves ocorram neste sentido", finaliza Eduardo Herrera dos Santos.
Na ameaça por e-mail, o criminoso diz que sabe onde ela mora e ainda tenta coagi-la a não procurar a polícia. Ele ainda afirma que é morador do Rio de Janeiro, onde vai comprar uma arma e uma passagem apenas "de ida" para Bauru com o objetivo de matá-la e, em seguida, cometer suicídio.