Depois de algumas semanas com queda de casos e de mortes por Covid-19, Bauru poderá registrar novo pico de indicadores nas próximas semanas, dentro de uma pandemia que já dura mais de oito meses. De acordo com especialistas ouvidos pelo Jornal da Cidade, se o nível baixo de isolamento social for mantido, entre dezembro deste ano e janeiro de 2021, a curva epidemiológica poderá voltar a ascender para os níveis críticos registrados de agosto a outubro.
Conforme o JC divulgou, aquele período foi o mais problemático para a cidade ao longo de todo o ano. Entre a segunda quinzena de setembro e a primeira de outubro, a média variou entre 150 a 168 casos novos de Covid-19 por dia. Já a média de mortes diárias chegou a 3,43 na semana de 10 a 16 de agosto.
No início de novembro, a média de novos casos havia caído para 58, a menor desde meados de junho. Porém, no fim do mesmo mês de novembro, o índice diário já tinha recrudescido para 91,28. E todos os indicadores mostram, até agora, que haverá nova elevação nesta semana que passou.
"Em todo o Estado, temos percebido este aumento, que alguns chamam de segunda onda e outros, de repique. Claro que não é uma certeza absoluta de que poderemos alcançar os índices registrados na fase mais crítica, mas estamos trabalhando com esta possibilidade", comenta o médico infectologista do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Carlos Magno Fortaleza.
Ainda de acordo com ele, depois de três a quatro semanas do aumento do número de casos, também é esperada alta do volume de mortes, já que este é o período em que parte dos infectados em estado mais grave pode evoluir para óbito.
REPETIÇÃO
Em relação à evolução dos casos, o gráfico (veja detalhes nos quadros) mostra que o padrão registrado no início da ascendência da curva epidemiológica, entre junho e julho, foi reproduzido em novembro, apontando para uma possível repetição do comportamento da pandemia a partir deste fim de ano.
O professor Wallace Casaca, matemático que coordena a plataforma SP Covid-19 Info Tracker, desenvolvida por pesquisadores da Unesp e USP, salienta que, mais uma vez, o número de casos e de internações começou a crescer primeiro na Grande São Paulo e Baixada Santista, para depois se intensificar no Interior. A alta da taxa de retransmissão (Rt), inclusive, reflete exatamente esta dinâmica: na Grande São Paulo, ela ultrapassou o índice considerado crítico, de 1, já no início de novembro, enquanto na região de Bauru isso só aconteceu no dia 20 de novembro (leia mais na página ao lado).
"Nesta segunda onda, a aceleração da Capital para o Interior ocorreu de maneira muito mais rápida. A sensação é de que o poder público não está dimensionando o tamanho do problema. Existe muito potencial para que, no começo de janeiro, nós voltemos a ter picos de contágio e de óbitos como tivemos meses atrás", analisa Casaca.