Geral

Por medo da Covid, feirantes antigos se afastam e dão lugar para novos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A pandemia do novo coronavírus provocou um novo fenômeno nas feiras de Bauru. Temendo o risco de contaminação, alguns feirantes com mais idade decidiram interromper as vendas e se afastar das ruas, o que acabou gerando a abertura de vagas que favoreceram novatos que estavam na fila de espera.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), somente de setembro até esta segunda metade de novembro, pelo menos 30 feirantes iniciantes que aguardavam uma oportunidade conseguiram ingressar no circuito de feiras de Bauru. Atualmente, cerca de 10 ainda seguem na fila.

"Uma parcela significativa destas vagas foi aberta em razão de afastamento ou desistência de feirantes mais antigos, alguns com 70, 80 anos, que decidiram parar neste momento por motivo de segurança", explica Rafael Santana de Lima, diretor de abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) e responsável por todas as feiras livres de Bauru.

Ele explica que, neste caso, os feirantes ingressam no circuito em caráter temporário, até que o 'dono' antigo da vaga decida retornar ao trabalho ou até que uma nova vaga seja aberta em definitivo. E estas novas vagas podem ser criadas até mesmo sem a desistência de alguém.

"Estamos sempre monitorando a demanda da população, que pede produtos específicos, como mel, queijo ou um tipo de fruta, que podem não estar sendo comercializados em um determinado local. Tivemos, por exemplo, muita solicitação de artigos de pet shop, e, como tínhamos duas pessoas cadastradas com interesse em comercializar este tipo de produto, elas foram chamadas", detalha.

PANDEMIA

Lima explica que o número significativo de feirantes que aguardava uma oportunidade reflete, de maneira direta, os efeitos da pandemia em Bauru. Vale destacar que, dos mais de 4,3 mil postos de trabalho com carteira assinada perdidos entre maio e junho na cidade, pouco mais da metade, 2,7 mil, foram recuperados até setembro, segundo os dados mais atualizados do Ministério da Economia.

"Há muita procura de pessoas que produzem artesanato, produtos de confeitaria. Mais de 80% são pessoas que já produziam algo em casa e querem ampliar a renda ou que ficaram desempregadas e começaram a empreender", observa o diretor.

Foi o caso da confeiteira Rosilene Aparecida Arcanjo, 38 anos, que se tornou feirante em Bauru há cerca de um mês. Há três anos, ela começou a produzir bolos, biscoitos e pães para venda de porta em porta, com ajuda da divulgação feita em suas redes sociais.

Porém, com a pandemia, os pedidos minguaram e ela decidiu expandir horizontes para reforçar o orçamento doméstico. "Uso a feira como uma vitrine para os meus produtos. Participo de seis feiras da cidade e sempre deixo um cartão com o cliente, divulgo meu WhatsApp e Instagram. Isso me ajudou a recuperar o que a pandemia me tirou", analisa.

Comentários

Comentários