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Ano perdido?: o que 2020 deixa de aprendizado para o futuro

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Quando o fim do ano se aproxima, é quase certo ouvir a tradicional canção de Simone ecoando por aí: "Então é Natal. E o que você fez?". Uma questão simples, entoada por muitos 'dezembros', mas que, agora, chega aos ouvidos com um peso diferente, bem como todo este ano incomum, marcado pelos impactos causados pela pandemia do novo coronavírus. Mas, será que 2020 foi um ano perdido?

O JC conversou com psicólogos que atuaram bastante durante a quarentena. Eles ressaltam algumas das consequências e aprendizados que ficam para além de 2020, por conta de todas essas experiências vividas.

Para Arnaldo Vicente, terapeuta cognitivo-comportamental, esta foi uma temporada de mudanças, renovação e reinvenção para muitos dos que permaneceram em suas casas criando novas atividades, elaborando brincadeiras para as crianças, dando start em um novo negócio e inúmeros outros exemplos de adaptabilidade. "As pessoas descobriram que, até quando parece não ter saída, tem saída. Alguns ficaram mais fortes, por se verem em uma situação de 'ou você vai, ou você vai'. Estão se sentido mais capazes e isso permanece".

Ele destaca que jamais devemos esquecer todas as superações, principalmente neste período de pandemia. "Que tenhamos esperança para que essas vacinas estejam aptas com nível de eficácia. Quando isso ocorrer, que possamos estar prontos e de pé para retomar, ainda mais, as nossas vidas. Quem sabe, dessa vez, com mais sensibilidade e autoconfiança", complementa.

DEIXAR PARA TRÁS

O profissional, contudo, lembra que, "se existe um quadro de pessoas que se sobressaiu bem a tudo isso, cuidando de si e dos seus, há, por outro lado, pessoas que ficaram muito centradas no problema".

Para ele, mesmo para esses indivíduos, não é caso de ano perdido, mas que deve ser deixado para trás. Em seus atendimentos, Arnaldo Vicente conta que se deparou com muito desânimo e falta de energia nos pacientes. "Olhar apenas para o lado do problema faz com que a pessoa se esqueça de seus pontos fortes e acabe entrando em uma ansiedade muito grande e na angústia, por não encontrar soluções. A pessoa tem sensação de impotência e não vê que esta solução não está sob seu controle", diz. "Podemos escolher se nos deixaremos derrubados ou tentaremos nos levantar", ressalta.

ALEGRIA DE NATAL

Ainda quando pensamos em final de ano, logo vem uma memória de tradição, alegria, entusiasmo e festividades. Entretanto, segundo o profissional, a realidade pede que as pessoas entendam que este período não será como em outros anos. "Algumas famílias não poderão se reunir. Outras estão desanimadas e não decoraram suas casas. É uma escolha individual, mas o clima do Natal pode contagiar e levar um pouco mais de esperança e alegria", diz.

No entanto, Arnaldo Vicente salienta que não devemos ignorar que houve perdas significativas e muito ainda estão enlutados. "Seria importante que todos vissem como essenciais as perdas humanas, mantendo a esperança viva em relação aos demais danos momentâneos, para reavê-los no futuro", conclui.

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