Economia & Negócios

Fim de alíquota de importação de armamentos provoca críticas

FolhaPress
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São Paulo - Em mais um capítulo do azedume entre a indústria de defesa nacional e o governo de Jair Bolsonaro, causou contrariedade no setor a decisão do governo Jair Bolsonaro de zerar, a partir de janeiro, a alíquota de importação de revólveres e pistolas.

O mal-estar foi ainda maior porque na véspera (8) empresários e entidades da área de defesa e segurança fizeram um encontro virtual com o ministro André Mendonça (Justiça e Segurança Pública), em que o tema não foi colocado.

A maior crítica individual, como não poderia deixar de ser, veio da Taurus/CBC, líder do mercado nacional e uma das maiores produtoras de armas leves e munição do mundo.

"Lamentavelmente essa medida irá acelerar o processo de priorização de investimentos nas fábricas nos EUA e na Índia, em detrimento aos investimentos que iriam gerar mais empregos e riqueza no Brasil", afirmou Sergio Castilho Sgrillo Filho, diretor de relações com investidores, financeiro e administrativo da empresa.

A Taurus até apontou o paradoxo, lembrando que tem fábricas no exterior (Geórgia e uma futura unidade indiana) capazes de vender para o mercado brasileiro aproveitando a medida - e ressaltou que nada muda na aplicação de outros impostos, com ICMS, IPI e PIS/Cofins.

SEM LICITAÇÕES

Além disso, causou preocupação a notícia de que a PF e Polícia Rodoviária Federal iriam estabelecer equipes para fazer compras internacionais, à margem da Lei de Licitações.

Há outros passos dados pelo governo, como por exemplo a retirada do monopólio de testes de produtos controlados de defesa do Exército.

MAIA

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se disse perplexo com a decisão do governo de isentar os impostos de importação sobre a compra de armas e pistolas. Ele disse que a sociedade está em "pânico" com o aumento de casos e mortes decorrentes do novo coronavírus e que, até agora, ninguém sabe se haverá vacina.

"No momento em que falamos em vacinas, o governo isenta a compra de armas", disse ele, em entrevista coletiva na Câmara. "Fico perplexo com a falta de sensibilidade do governo", acrescentou, ressaltando que a ocupação de leitos de hospitais cresce e já se esgotou em vários locais do País.

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