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Arnaldo Ribeiro
| Tempo de leitura: 2 min

O ano de 2020 vai ficar na história de nossas vidas por diversos aspectos. Sem dúvida ele vai ter um papel importante nos livros de história do futuro, seja pela pandemia ou ainda por mudanças nos campos do comportamento e da política. De um lado, as futuras gerações vão estudar os meses de isolamento, o papel das redes sociais nas informações (e desinformações) do avanço da Covid e da preocupação generalizada da saúde pessoal e coletiva.

De outro, os resultados das urnas serão o destaque das teses dos historiadores. Nas recentes eleições houve um ponto de virada no modo do brasileiro enxergar a política, mas para explicar melhor precisamos voltar alguns anos no passado. Em nosso país foram oito anos de um governo que deixou cicatrizes de corrupção e mais quase seis com marcas de frustração e desmoronamento da política. Terminamos esse ciclo de escândalos e dificuldades econômicas com o maior escândalo de corrupção da nossa história.

Veio então o crescimento da força da direita. Bolsonaro ganhou, o PSL (até então um partido sem tanta expressão) ganhou força e o discurso da não-política foi o grande vencedor em 2018. O que vimos nas últimas eleições foi uma mudança neste quadro. O PT não conquistou a prefeitura de nenhuma capital, o que não acontecia desde 1985. Do outro lado, apenas 2 entre 13 candidatos apoiados pelo atual presidente foram eleitos neste segundo turno das eleições para prefeito.

Enquanto as pontas do espectro político desidrataram em comparação com outras eleições, os líderes em números de prefeituras conquistadas em 2020 foram, pela ordem, MDB, PP, PSD, PSDB, DEM e PL. Todos com tendências de centro. A conclusão? O brasileiro parece ter se cansado da polarização vista desde o início deste século. O discurso do "eu estou na política, mas não sou político" (em muitos lugares) não colou neste ano como em 2018.

A esperança é que este seja um passo em direção ao amadurecimento político da nossa sociedade. Resta esperar que essa eleição seja lembrada pelos futuros livros de história como o início de uma fase muito melhor do nosso país, que os nossos governantes possam trabalhar muito para isso.

Mais do que isso, que o saldo de 2020 nos traga uma mudança de comportamento, de alinhamento e postura. Sejamos mais humanos, mais compreensivos com nós mesmos, usemos mascaras não só por nós, mas também pelos outros. Que a verdade de cada um não seja motivo para ira ou revolta do outro.

Viva a Democracia e um feliz 2021!

O autor é secretário parlamentar e acadêmico em Gestão Pública

 

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