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Separados pela pandemia

Giuliana de Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Está chegando uma época em que as pessoas sentem necessidade de estar juntos. Especialmente num ano como este, em que muitas famílias foram obrigadas a ficar distantes por conta da pandemia de Covid-19. Mas o que fazer pra tentar diminuir a distância?

Fotos, mensagens e videochamadas narraram o nascimento da pequena Gaia, em Roma, para seu pai, Vinicius Tankevicius, em São Paulo. Devido às restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, o brasileiro não pôde acompanhar o parto, em julho - nem mesmo a gestação da namorada, a italiana Alessia Coppola -, e até hoje só viu a filha a distância, por ligações com vídeo.

Vinicius e Alessia se conheceram em maio de 2019, pela Internet, e não demoraram a começar o namoro. Ele estava com viagem marcada para março, para visitar a namorada, já grávida, mas o voo foi cancelado dias antes da partida, em meio à escalada das contaminações. Desde então, eles ficaram sem previsão para se reencontrar.

Uma opção seria mãe e filha virem ao Brasil, que reabriu os aeroportos para os estrangeiros no fim de julho, mas a viagem não é recomendada por causa do tempo de vida de Gaia. Já a Itália colocou o Brasil na chamada Lista F, de nações restritas. Vinicius e Alessia poderiam tentar viajar, ambos, para algum outro país, mas a despesa seria enorme, e, mesmo assim, eles não teriam a certeza de que se encontrariam, justamente por causa das medidas contra o coronavírus na Europa. "É um absurdo minha filha estar crescendo sem conhecer o pai. E ele está sendo privado de muitas emoções que nunca vão voltar", diz a italiana.

Assim como eles, casais e famílias de todo o mundo estão sofrendo pela separação forçada pela pandemia, que fechou fronteiras e dificultou os encontros, principalmente aqueles que dependem de viagens mais longas. Para tentar sensibilizar as autoridades, foi criado o movimento Love Is Not Tourism (Amor Não é Turismo, na tradução). Um abaixo-assinado on-line do grupo pede a eliminação das proibições de viagens para que casais possam se reunir, e mais de 35 mil pessoas já assinaram. A petição oferece como contrapartida a garantia de que cada viajante irá bancar seu teste e fazer quarentena ao desembarcar.

A psicóloga carioca Ana Café explica que o isolamento social, apesar de necessário, traz impactos diretos para a saúde mental e emocional das pessoas. Ela ressalta que as crianças são ainda mais vulneráveis, por isso, aquelas que estiverem sem ver um dos pais nesse período precisam ser bem orientadas:

"As informações claras e transparentes são fundamentais para essa criança se sentir segura. O impacto também depende da idade. Crianças menores irão sentir, mas será menos do que aquelas com maior compreensão do tempo e do espaço que cada parente ocupa em sua vida. Uma criança que não esteja bem amparada pode desenvolver um sentimento de abandono."

Em relação aos casais, Ana diz que muitos têm resistido bem à distância. No entanto, caso o relacionamento esteja desgastado, ela recomenda repensá-lo. "Para relacionamentos pautados em cobranças, inseguranças e medo constante de traição, o melhor é encerrar a relação. Esse desgaste não é saudável nem faz ninguém feliz."

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