A sociedade bauruense assistiu no dia de ontem à renúncia de toda a mesa diretiva de sua Câmara Municipal. Os quatro membros da Mesa Diretora da Câmara apresentaram pedido de renúncia, durante a sessão ordinária desta segunda-feira. O presidente José Roberto Segalla (DEM), o vice Coronel Meira (PSL), o primeiro secretário Miltinho Sardin (PTB) e a segunda secretária Yasmim Nascimento (PSDB) solicitaram a saída de seus cargos.
O fato disparador da deserção possui duas versões para um mesmo acontecimento. Segundo os renunciantes, o que teria levado a tal atitude era a impreterível votação de um projeto de lei que adequava atos e gratificações de servidores da Casa de Leis a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) - o primeiro de cinco projetos para ajustes que estavam na pauta. A outra versão vem do vereador Ricardo Cabelo (PRB), que pediu prazo na sessão, o que foi indeferido por Segalla. No entanto, esse indeferimento, além de ilegal, já havia sido anteriormente, segundo Cabelo, imposto a um pedido de esclarecimento que o mesmo havia feito antes da sessão. Parece que o clima de transição na Câmara e Prefeitura está gerando um clima incomum entre vereadores tão experientes, o de tensão no ar.
No entanto os dirigentes da mesa da casa de leis, eleitos democraticamente pela maioria dos vereadores, infelizmente ultrapassaram o limite da postura pública e o respeito ao regimento interno da Câmara. Vivemos tempos de fragilidade democrática, todo embate de opiniões deve respeitar as regras legais. Ainda que pareça justa a causa, um presidente de uma casa legislativa deve ser mediador e voz dos membros do legislativo e a forma de exercer essa função pública é observar as regras do devido processo legal.
A sessão volta hoje de manhã e deve votar antes uma nova mesa diretiva para que o jogo role com a bola em campo. O legislativo não pode ser similar ao que ocorre no campo de várzea, em que o dono da bola só empresta a pelota para todos se ele tiver a camisa 10.