As ruínas que estão no centro de uma grande área verde debaixo do viaduto Nicola Avallone Júnior, em Bauru, que liga a Vila Falcão ao Bela Vista (antigo 'viaduto inacabado'), já foram responsáveis em contribuir para o crescimento da cidade por meio das linhas férreas. Ao longo dos últimos anos, o tempo e a vegetação foram engolindo parte da história nesta área originalmente pública, que encontra-se em terreno arrendado.
Estes imóveis, que estão literalmente caindo aos pedaços, faziam parte da antiga Rede Ferroviária Federal, que passou a ser América Latina Logística (ALL). A empresa iniciou atividades em Bauru em meados de 2006 e, mais recentemente, em 2015, foi absorvida pela Rumo.
A Rumo esclarece que a destinação destes imóveis serão tratados no processo de relicitação da Malha Oeste, aprovado recentemente pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.
De acordo com a concessionária, trata-se de um processo amigável e amparado na Lei nº 13.448/2017 e no Decreto nº 9.957/2019.
PARQUE LINEAR
A Secretaria de Planejamento (Seplan) destaca que este território pertencente à União integra um projeto que visa transformar o local em um parque linear, para esporte e lazer. Segundo a titular da pasta, Letícia Kirchner, a área projetada compreende 100 mil m² e extensão de 3,5 quilômetros, inclusive margeando o Rio Bauru. O projeto, originalmente de 2019, traz ao menos 3 etapas, com um orçamento total de R$ 10 milhões. O Município aguarda disponibilidade de verbas externas, sendo elas parcerias de contrapartida com empreendimentos imobiliários e emendas federais. O custo da primeira etapa seria de aproximadamente R$ 2 milhões, com obras próximas da rua Pedro de Toledo. Nesta fase inicial o projeto prevê pista de skate, fut street, pista de caminhada e corrida, além de preservação do rio. Só esta fase já daria cara nova ao Centro de Bauru, afirma Letícia.
O segundo passo do planejamento impactaria diretamente as ruínas, que seriam demolidas, exceto um pequeno prédio histórico situado ali, que seria revitalizado.
Os "fantasmas" das antigas oficinas seriam exorcizados e dariam lugar para quadras poliesportivas, de areia, mesas para jogos e pista de bocha. E a última fase seria de recuperação paisagística nas margens do Rio Bauru no trecho da Nuno de Assis.
NO PAPEL
Em janeiro de 2019, a Prefeitura anunciou que daria início a um programa de construção de parques lineares de fundos de vale. Ao todo 10, localizados nos córregos que entrecortam o ambiente urbano em uma extensão de mil hectares a serem revitalizados. Nove projetos estão parados. O único entregue, o Parque Córrego da Grama, no Bauru 16, foi lançado com parte da área total prometida inicialmente, usando terreno público. Um outro chegou a começar obras, o Parque Água Comprida, no Geisel. O projeto Parque Água da Forquilha, na Vila Santista, não avançou e não deve virar realidade. Os demais estão sem previsão e dependem de Parceria Público-Privada (PPP). São eles o próprio Parque da Estação, sob o 'viaduto inacabado', o Parque Jurandir Bueno ainda "engatinhando" na Nações Norte, Parque Quinta da Bela Olinda, Barreirinho, Água do Castelo, Vargem Limpa, Água da Ressaca e Água do Sobrado.