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Apae alcança 500 mil atendimentos e inaugura nova residência inclusiva

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Rua Doutor Antônio Prudente, 2-47, Jardim Estoril, Bauru. Na entrada, as bolas coloridas alegram a rampa de acessibilidade. Na sala de estar, a árvore de Natal recheada de presentes pisca sem parar. Na cozinha, a geladeira está abarrotada de frutas, verduras e legumes. Nos quartos, há uma cama personalizada com o nome de cada morador. Este será o novo lar de dez pessoas com deficiência que tiveram os vínculos familiares fragilizados ou rompidos. A inauguração da terceira residência inclusiva da Apae se deu nesta terça-feira (15), momento em que a entidade alcançou a marca de 500 mil atendimentos desde a sua fundação, em 1965.

A iniciativa é uma parceria da instituição com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (Seds), através da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads). Inclusive, a titular da primeira pasta citada, Célia Parnes, participou da inauguração, assim como a secretária dos Diretos da Pessoa com Deficiência do Estado, Célia Leão. Ambas representaram o governador João Doria (PSDB).

De acordo com Célia Parnes, o amor se faz presente em cada cômodo da casa. "Os leitos estão com os nomes dos futuros moradores. Inclusive, eu vi lá uma xará minha e me coloquei no lugar dela, que chegará à casa e verá a árvore de Natal cheia de presentes", exalta.

Já Célia Leão afirma que as residências inclusivas são imprescindíveis, porque acolhem aqueles que tiveram os vínculos familiares fragilizados ou rompidos. "Sempre haverá alguém para nos perguntar se nós possuímos um lugar para deixar uma pessoa com deficiência. Infelizmente, algumas famílias não podem cuidar e outras não querem", completa.

Presidente da Apae, Gisele Aparecida de Camargo Tavares informa que quatro moradores da residência inclusiva feminina e seis da masculina já se mudaram para a nova unidade. "Porém, eles retornaram aos seus antigos endereços e não participaram da inauguração, porque alguns se encaixam no grupo de risco da Covid-19. Os residentes voltarão tão logo a casa passar por desinfecção", esclarece.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), por sua vez, elogia a mais nova conquista da Apae e relembra a luta da antiga presidente da entidade, Olga Bicudo Tognozzi, que faleceu no Natal passado. "Por isso, nós decidimos colocar o seu nome em uma escola do Mary Dota que será inaugurada em breve".

PIONEIRISMO

Coordenador-geral da entidade, Roberto Franceschetti Filho explica que a primeira residência inclusiva, em Bauru, foi inaugurada em 2007 e, até então, não existia tal equipamento no Brasil. Até hoje, a unidade abriga apenas mulheres - oito, especificamente.

Em 2011, a instituição fundou a segunda residência inclusiva - desta vez, destinada ao público masculino, com dez homens. Agora, nasceu a mista. Em todos os casos, os moradores têm acima de 18 anos. "Nós estávamos com 12 pessoas na feminina e 16 na masculina, mas o indicado é que fiquem dez em cada local. Com a inauguração da nova unidade e o remanejamento dos residentes, ainda sobram duas vagas", constata.

O encaminhamento dos moradores é feito pelo Poder Judiciário, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Drads e outros órgãos que dão uma atenção especial às famílias em situação de vulnerabilidade social.

As três casas são bancadas, integralmente, pelo Estado. Com uma equipe interdisciplinar, as unidades trabalham a autonomia dos moradores. De 2007 para cá, 35 pessoas passaram pelo serviço. Do total, 18 conquistaram certa independência a ponto de alugar as próprias casas ou voltaram para as suas famílias e uma moradora foi adotada.

ATENDIMENTOS

Fundada em 1965, a Apae conta com 300 colaboradores, que trabalham nas áreas de saúde, assistência social e educação. De lá para cá, a entidade atingiu a marca de 500 mil atendimentos.

Hoje, por causa da pandemia, as atividades voltadas à educação ainda não funcionam presencialmente, mas atingem 100% dos alunos de forma remota. Na saúde, os atendimentos são individuais. Na assistência social, por fim, uma equipe multidisciplinar visita as casas assistidas, levando cestas básicas e todo o apoio necessário.

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