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'Fernandas' retornam em especial

Estadão Conteúdo
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Mãe e filha na vida real, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres irão, mais uma vez, interpretar a dupla Gilda e Lúcia em um especial de Natal da Rede Globo, que vai ao ar no dia 25 de dezembro, depois de "A Força do Querer". O programa continua o enredo da família, apresentada durante a série "Amor e Sorte".

Em "Gilda, Lúcia e o Bode", mãe e filha se reencontram no Rio, na véspera do ano novo, enquanto a personagem de Fernanda Torres enfrenta diversos problemas financeiros. "O assunto do especial é dinheiro, que é a questão da sobrevivência. Lúcia perdeu o emprego na pandemia, vai morar com a mãe, e o bode vai parar no Rio", comenta Fernanda Torres.

As duas participaram de uma coletiva para falar sobre o novo episódio, e destacaram a figura do bode Everi, introduzido no episódio original, e que foi substituído por um bode mais experiente no mundo da atuação.

"O bode é maravilhoso. Nos ensaios ele era instável, mas na hora o danadinho ficava tranquilo, senhor da cena, olhava, virava, subia na árvore, e a gente 'danado, roubou a minha cena'", comenta Fernanda Montenegro. Fernanda Torres ainda destaca que, de tão bom ator, o bode recebeu o apelido de "Zequinha Montenegro".

Além de Zequinha, o especial conta também com a participação de Joaquim Waddington, Fabiula Nascimento e Arlete Salles, que interpreta a cunhada de Lúcia. Entretanto, quem mais parece ter conquistado o coração das atrizes é, realmente, o novo bode.

"Eu queria muito que o bode desse momento que a gente vive, fosse o bode da nossa história. O da nossa é lindo, feliz, alimentado, harmonioso, sadio, então tem esse termo, 'ter um bode' [não gostar, ter aversão a algo], mas o nosso bode não, ele é O bode. Adorei conviver com ele", brinca Fernanda Montenegro.

Fernanda Torres destaca que o episódio é sobre "pessoas em situações difíceis, mas a ligação amorosa, familiar, é o que faz elas se moverem, e o bonito é a relação pessoal entre elas, e os seus agregados".

"Fomos confinados com as nossas famílias, e todo mundo tinha alguém no grupo de risco, em risco, e as pessoas obrigadas a conviverem como nunca tinham convivido antes. E quando a crise se estabelece no mundo, o que sobra é essa família, e isso foi o que emocionou", explica.

A mãe da atriz destaca que os episódios seguem o estilo de uma comédia de costumes: "tem a hora em que surge uma emoção, mas não deixa de ter humor, englobar o relacionamento humano. É o registro do dia a dia".

As duas atrizes comentam que o formato dos episódios também é algo que poderia permitir produções no futuro, mas não uma série longa.

"Eu acho que ele veio tão de surpresa, e a gente ficou até surpresa dele ter tido a recepção que ele teve. É algo que no máximo dá pra fazer em datas comemorativas, em momentos cívicos e familiares", explica Torres.

Já ao dizer que o programa poderia até se tornar um "novo [especial] do Roberto Carlos", a mãe interferiu: "o Roberto é insubstituível, vamos devagar". A filha concordou, e explicou que a hipótese seria de o programa ser exibido antes do especial do cantor, o que agradou a mãe.

Os laços familiares são uma marca não apenas do enredo dos episódios, mas também dos próprios bastidores deles, em especial na gravação do episódio original. A ideia, agora, é continuar explorando a relação entre mãe e filha, da ficção, a partir do encontro entre as diferentes visões de mundo e opiniões das personagens. "Tem algo que a gente falava sobre, a ansiedade, do tempo, da espera pela vacina, essa discussão toda, a hora de virar o responsável pela mãe, pelo pai, resolver os problemas, essa inversão de papéis, e que nunca inverte totalmente. Foi um trabalho sobre isso, que é algo que eu também vivi com minha mãe, tem um paralelo entre a gente", explica Fernanda Torres.

Um paralelo que pode ser notado nas visões das atrizes sobre a pandemia. Fernanda Torres comenta que cansou "de ter esperança, não tenho mais esperança. [...] Eu já estou tão cansada que estou vivendo uma realidade paralela, eu não aguento mais". Já Montenegro diz que tem "paciência, um pouco revoltada". "Vamos sair, temos que gritar isso, sem perder a esperança", defende.

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