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616 pessoas perderam a luta contra o câncer em Bauru neste ano

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Além das muitas vidas que foram perdidas para a Covid-19 neste ano, o câncer também continua fazendo vítimas em Bauru. De janeiro a outubro, por exemplo, 616 pessoas perderam a batalha para a doença, segundo a prefeitura. Especialistas apontam que o fato de muitos serviços de saúde estarem voltados ao atendimento da Covid e até mesmo o medo da contaminação pelo coronavírus podem ter feito com que os pacientes demorassem mais para receber o diagnóstico. Com isso, os doentes estão iniciando o tratamento em estágio já avançado, o que não é o ideal.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer é uma doença em que ocorre o crescimento desordenado de células, que podem invadir tecidos ou órgãos. Quando se dividem rapidamente, tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que se espalham para outras regiões do corpo. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento rápido são essenciais para elevar as chances de cura e proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes. Os cânceres de pulmão, mama e pele são os mais comuns em Bauru, sendo os dois primeiros os mais letais (veja no quadro ao lado).

Segundo a médica oncologista Ana Cristina Xavier Neves, que integra a equipe do Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer (SOPC) de Bauru, muitos serviços de saúde limitaram os atendimentos por conta da pandemia. Alguns deles, inclusive, foram voltados apenas para pacientes com Covid-19. "Os pacientes oncológicos tiveram menos acesso, o que fez diminuir o número de exames para diagnóstico. Além disso, os mais idosos, do grupo de risco, estão com medo de sair e de procurar assistência médica", explica.

Essa questão fez com que os diagnósticos fossem atrasados. "Tenho a sensação de que, neste ano, chegam para nós, em maior quantidade, pacientes com câncer em estágio avançado", afirma Ana Cristina.

Ainda segundo o Inca, quando o diagnóstico ocorre na fase inicial, a doença tem até 90% de chance de cura.

DIAGNÓSTICO

No combate ao câncer, o SOPC desempenha um papel essencial. Somente neste ano, por exemplo, foram diagnosticados 331 casos. Também foram realizados 3.661 atendimentos no serviço, sendo 1.108 deles feitos pela equipe multiprofissional e 331 encaminhados para tratamento e seguimento junto à Rede de Oncologia do órgão.

"Os pacientes, geralmente, não gostam de falar que têm câncer. Mas, aqui, temos um trato especial para falar que a doença é grave e que eles precisam se dedicar ao tratamento", avalia a médica oncologista do SOPC.

SERVIÇO

Como a SOPC não é uma unidade de urgência, o atendimento é feito sob encaminhamento dos médicos de outros postos, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O SOPC está localizado na rua Manoel Bento Cruz, 11-26, no Centro. Os telefones para contato são 3218-9086 e 3223-1576. O horário de funcionamento é das 7h às 17h.

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