Política

Dívidas impedem fim imediato da Cohab

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O encerramento imediato da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) é considerado inviável pelo presidente Arildo Lima Jr. Um ano após entrar no cargo, ele afirma que o número de ações que a companhia ainda possui, bem como as dívidas que precisam de negociação, não permitem a liquidação rápida da Cohab.

Ele, inclusive, evita dar prazo. "Ainda é impossível afirmar quando será possível encerrar a companhia. Há um passivo alto a ser negociado, algo que é complexo, pois envolve muitos fatores", lembra. Os dados foram mostrados em reunião pública chamada pelo vereador Markinho Souza (PSDB), na Câmara Municipal. Lima Jr. assumiu como presidente no final do ano passado, depois que o então presidente Edison Bastos Gasparini Jr. saiu do cargo, por causa da deflagração da Operação 'João de Barro', do Gaeco.

Na ocasião, Gasparini e outros diretores deixaram seus cargos. Junto com Lima, foram nomeados o diretor financeiro Marcos Garcia e a gerente jurídica Andrea Salcedo. Já houve redução da estrutura, que caiu de 64 para 50 funcionários durante este ano. Também foi realizada uma nova escolha para a composição dos conselhos de Administração e Fiscal.

DÉBITOS

Para o atual presidente, o primeiro desafio da Cohab no ano que vem será concluir as negociações com o governo federal para o pagamento das dívidas que a companhia possui com o sistema nacional de habitação.

O valor total é de R$ 1,5 bilhão, mas com créditos que a Cohab tem a receber e descontos previstos em portarias e resoluções, o valor final está, no momento, em R$ 360 milhões.

Os débitos incluem o FGTS, FCVS e o seguro habitacional. A proposta é de um parcelamento por 20 anos, com parcelas mensais de até R$ 2 milhões. O presidente cita que a Cohab teria condições de assumir o pagamento integral das parcelas por um ano. Depois, a participação da companhia diminuiria, uma vez que suas receitas caem anualmente com o fim dos contratos de mutuários, e a Prefeitura de Bauru assumiria o valor, pois tem 72,8% das ações da Cohab.

CONTRATOS

A Cohab iniciou este ano com 6.772 contratos ativos de mutuários e terminou o mês passado com 6.053 contratos, pois estes vão vencendo conforme os mutuários pagam as últimas parcelas. Haverá uma forte redução de arrecadação, pois restarão poucos contratos - serão 2.094 apenas em 2026. Apesar da pandemia, Lima Jr. destacou que a inadimplência teve poucas alterações. O patamar é de 31% para atrasos de até três meses, em que há negociação administrativa com o mutuário. O índice é de 10% para atrasos superiores a quatro meses, quando a Cohab entra com ação judicial para receber o dinheiro.

Neste ano, a arrecadação média da Cohab variou entre R$ 1,7 milhão e R$ 2 milhões por mês, e vai encerrar 2020 com cerca de R$ 13 milhões disponíveis. As despesas com pagamentos de funcionários saiu de R$ 325,7 mil em dezembro do ano passado para R$ 276,8 mil no mesmo mês deste ano. Já as despesas com contratos de empresas prestadoras de serviço foi de R$ 125,2 mil, e com outras despesas ficou em R$ 7,8 mil.

O presidente frisou ainda que a Cohab tem 617 imóveis, com valor total estimado de R$ 113,6 milhões, o que pode contribuir na redução de dívidas após leilões e vendas. Contudo, a maioria está penhorado ou bloqueado em ações.

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