Há poucos dias as cidades puderam conhecer seus novos executivos. Sem sombra de dúvidas, gerenciar uma cidade nos dias atuais não é uma tarefa fácil. Pelo contrário. Quaisquer que sejam os problemas e o tamanho das cidades, muitos deles são comuns, particularmente na área de mobilidade urbana. Assim, me permito apresentar algumas sugestões, no sentido de equacionar e mitigar os problemas de mobilidade urbana. Estas são sugestões que tomam parte da pauta de muitos técnicos da área, inclusive da Associação Nacional de Transportes Públicos, e que podem ser de utilidade aos novos alcaides.
Primeiramente, como premissa, urge que as cidades promovam uma reengenharia no desenho das linhas de ônibus, pois, a sua quase totalidade conheceu, ao longo das décadas, ampliações do tipo "puxadinho", para atender às novas demandas. O transporte coletivo responde, hoje, pela mobilidade de cerca de um terço da população brasileira. Para sua maior efetividade é necessária uma relação de transparência do poder público com a população, esclarecendo-a a respeito de custos e métodos para o cálculo de tarifas. Torna-se essencial encarar as diversas situações que proporcionam impactos financeiros no transporte coletivo.
É preciso buscar recursos extratarifários para a sustentação do sistema. Não é justo que este serviço essencial seja financiado unicamente pelos usuários pagantes. Descontos e gratuidades tarifárias sem a devida provisão de recursos representam um escárnio aos bolsos dos usuários. A Engenharia dispõe, atualmente, de vasto conhecimento para a adoção de ações que favoreçam a operação do transporte coletivo, para atender ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (Cidades e comunidades sustentáveis) da ONU. Deve-se assegurar prioridade à circulação de ônibus, bem como implementar terminais de transferência e intermodais.
A adoção de faixas exclusivas, pavimentação/reforma de vias corredores de ônibus, implantação de modos de maior capacidade, podem ser viabilizadas com a definição de fontes alternativas de financiamento. Uma boa gestão de qualidade requer o desenvolvimento de ações para se atingir metas claras e objetivas: diminuir o tempo médio das viagens, menor lotação, tornar mais atrativo o sistema, aumentar o índice de satisfação dos usuários etc. A redução da distância entre usuário, poder público e operadores poderá propiciar uma maior sinergia entre as partes.
Enfim, os diversos sistemas que promovem a mobilidade urbana compõem um eixo estruturante da vida citadina, e assim precisa ser encarado pelos gestores públicos e pela população como um todo. Há, em geral, boa qualidade de vida em cidades que priorizaram o transporte coletivo e os modos não motorizados, tais como Bogotá, Seul e Nova Iorque. Investir no transporte motorizado individual é um erro grave e custa muito caro para a sociedade.
O autor é professor titular aposentado da UFSCar, diretor de Mobilidade da Assenag e docente do curso de Engenharia Civil da FIB.