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Os desligamentos, diz o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ocorreram "devido à variação da frequência durante o processo de tomada de carga ou perda de alimentador". A conclusão é que um sistema de proteção dos equipamentos a baixa frequência da rede estava em desacordo com as recomendações. "A minha avaliação é que houve uma série de decisões não tomadas", diz a consultora Lavínia Hollanda, da Escopo Energia, ressaltando que locais de ponta do sistema, como o Amapá, precisam de mais redundâncias para garantir a segurança em caso de acidentes. "Se o transformador que era a redundância estava parado, essa questão já tinha que ter sido endereçada", completa ela. "Não pode ficar dez meses com um transformador dando problema sem ninguém tomando providência." Entre as recomendações do relatório, o ONS reconhece problemas de comunicação e sugere "aprimorar procedimento para comunicação do ONS ao CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico] e à Aneel, para os casos de indisponibilidade de equipamentos superiores a 60 dias, com o foco na região Norte do país". O operador pediu estudos para a construção de uma nova subestação no Estado, para reforçar a segurança do suprimento, em um indicativo de reconhecimento da fragilidade do sistema em operação desde a inauguração da linha que leva energia do resto do país ao Amapá, há cinco anos. À proprietária da usina, Eletronorte, foi recomendado estudo para esclarecer os motivos das falhas nas unidades geradoras que demoraram a voltar. "O agente deverá informar as providências tomadas para evitar reincidências dessa natureza", diz o documento. Já a Gemini deverá realizar investigações sobre eventuais falhas estruturais ou no projeto de isolamento dos transformadores que estavam em operação no momento do acidente. Com o resultado dessas investigações, a Aneel concluirá avaliação sobre os responsáveis pelo apagão. O ONS disse à reportagem que fez recomendações no relatório para a solução de problemas identificados no apagão e que, conforme consta do relatório, trabalha para apresentar um novo procedimento de comunicação de indisponibilidades em janeiro de 2021. A CEA não respondeu ao pedido de entrevista sobre a falta de resposta às ligações da Aneel e os problemas em suas subestações.

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