Tribuna do Leitor

Há 28 anos: aprenderpara sempre

Professora Leila F. Arruda, Leila F. Arruda - assessora pedagógica em creches e escolas
| Tempo de leitura: 2 min

Na semana passada (dezembro 2020), estive três dias numa escola particular de nossa cidade, trabalhando com a formação dos educadores. Encontrei lá o professor de inglês Thiago Moreira, antigo estudante de uma escola municipal que dirigi durante dez anos, no Núcleo Ernesto Geisel, onde ele fez todo o Ensino Fundamental.

No dia seguinte, ao falar sobre a importância da Livre Expressão, ao trabalhar princípios importantes para o século XXI, li uma história que faz parte de um livro feito pelas crianças do segundo ano de 1992. Não falei nada, apenas comecei a ler.

Os educadores estavam espalhados no espaço grande e este professor, no último banco. Ao ouvir as primeiras frases da história, falou alto para os que estavam mais próximos: esta história é minha.

No final, quando eu lia, ele chorava. Aí falou alto: É minha história! Eu me lembro! E contou o processo de criação vivido. Terminou seu relato aplaudido por todos.

Perguntei então aos demais: levante a mão quem se lembra de alguma produção realizada ou conteúdo estudado no Ensino Fundamental. Entre todos, ninguém... E aí expliquei todo o processo de criação.

Este livro, demorou quase todo o ano letivo para ser realizado. Começou, com a professora Sandra Angelo Rodrigues sugerindo escritas livres. Foram realizadas muitas rodas de leitura para fazerem as escolhas das melhores de cada um e a partir daí, correções coletivas na lousa. Depois disso, cada escrita foi uma caneta esferográfica de ponta fina. A etapa seguinte era colocar o stencil no limógrafo, instrumento de madeira usado para tirar cópias, uma a uma. Assim, cada criança tirava o número de cópias necessário para todos. Quanta vez aconteceu, de rasgar a folha fina do stencil e ter que refazerem o processo? Depois disso, juntaram todos os textos, formando os livros, com a capa desenhada, nome do livro escolhido e encerrou-se o processo numa tarde dos autores. Como convidado, um professor poeta Luiz Victor Martinello. E foi uma tarde inesquecível, onde a sensibilidade do poeta enalteceu cada criança, lendo alguns textos e conversando com todos.

Conto tudo isso para que entendam a razão de eu, diretora do Núcleo de Ensino Renovado e não a professora da turma, guardar por 28 anos o livro em questão, assim como outros materiais produzidos nesta escola. A diferença está no processo realizado, na vida que penetra na escola através do trabalho coletivo e cooperativo. Conto isso, para que entendam a razão de um jovem professor se emocionar e relembrar com detalhes, todo o processo vivido. Esse é o aprendizado para sempre. Essa é a pedagogia do sucesso.

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