Apesar de o Pix estar operante desde 16 de novembro, são poucos os pequenos e médios empresários que já oferecem o método de pagamento aos seus clientes ou que começaram a adaptar os seus sistemas à modalidade. "Ainda existe muita dúvida com relação às taxas e tarifas que serão cobradas na modalidade", afirmou o gerente executivo da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Daniel Sakamoto.
A maioria das instituições financeiras concedeu de três a seis meses de isenção para os empresários que querem oferecer o Pix como meio de pagamento. "Não sabemos quanto vão cobrar da gente. Enquanto não definirem tarifas, não temos como saber se vamos adquirir. Tem empresa que cogita cobrar 1,49% por Pix, que é mais caro que o débito. Isso precisa ser definido. Como usar algo que não sabemos o custo?", questiona Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (associação dos restaurantes).
Apesar da incerteza quanto a cobrança no futuro, os valores já divulgados são menores do que os cobrados para transações de crédito ou débito, que variam de 1,69% a 6,40%. "Não me passaram taxa nenhuma. Se for menos que cartão, a gente pode sentar e conversar" afirma Sheila Simantob Fridman, dona de uma loja de roupas femininas.
A empresária, que tem cerca de 80% do seu recebimento no crédito, não sabia que as maquininhas podem processar pagamentos por Pix. Segundo ela, nenhuma cliente pediu para pagar pelo sistema até o momento.
Pesquisa da Stone feita com 1.065 mil lojistas de todas as regiões do Brasil entre 4 e 6 de novembro aponta que 77% ainda não estavam ou não sabiam se estavam preparados para incorporar o novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central e 36% o desconhecem.
No levantamento, 37% dos empreendedores se sentem inseguros em relação ao Pix. As principais dúvidas são sobre segurança (38,8%), usabilidade (34,9%), funcionalidades (30%) e custos (47,1%). Apenas 16,2% dos entrevistados se disseram esclarecidos. Dentre grandes varejistas, o cenário é diferente.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, existe um problema de desconhecimento também por parte dos lojistas. "Tudo é muito novo e as empresas ainda estão adaptando seus sistemas ou tentando entender como a demanda do consumidor será, principalmente agora no Natal. Muitos também não têm uma compreensão total do modelo, mas é questão de tempo."