Cultura

'Tem um livro aqui que você vai gostar'

Maria Fernanda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Há quem tenha começado a se interessar pela leitura por influência dos pais, de um irmão mais velho, de um professor, do Harry Potter. O ator Antonio Fagundes credita sua descoberta do mundo dos livros a uma mononucleose na infância. O tratamento foi com cama e... gibi. A partir daí, foi descobrindo, sozinho mesmo, autores e histórias que o encantavam e foi formando seu gosto pela leitura.

Aos 71 anos, o ator quer ajudar as pessoas que têm vontade de começar a ler, mas não sabem por onde, a dar o pontapé inicial. Por isso escreveu "Tem um livro aqui que você vai gostar", pela Sextante. Trata-se de um guia de leitura, a partir de sua própria experiência como leitor - e de suas memórias. Neste volume, ele fala sobre cerca de 150 títulos - de clássicos a contemporâneos, de ficção científica a autoajuda. Ele lê de tudo e sobre tudo (desde que o livro seja bom).

A obra é dividida em 11 partes, e é aberta por dicas para quem quer começar a ler. Cada um dos capítulos é encerrado com uma breve biografia dos autores citados e outros títulos deles. Fagundes fala de literatura brasileira clássica e contemporânea - e diz, por exemplo, que está apaixonado pela obra de Ana Paula Maia. "Ela escreve com uma linguagem crua, seca, fascinante", aponta. Além de comentar as obras que leu, ele conta alguma história por trás da experiência, explica as diferenças entre os gêneros e por aí vai. Tudo numa conversa direta com o leitor, num tom pessoal.

Fagundes dedica um capítulo para livros que vão fazer o leitor roer as unhas (mistério, suspense, thriller). Apresenta o que chama de universos fascinantes (distopia, terror, ficção científica). Fala de poesia, de livros premiados, biografias, livros de história, não ficção, autoajuda e obras que refletem sobre o nosso tempo - aqui, ele indica leituras que tratam do feminismo ao crime organizado, por exemplo. No fim, um índice com autores e títulos citados. Um guia mesmo.

Para o ator, este poderia ser um bom momento para mergulhar na leitura e "entrar em contato com outras verdades". "Quisemos lançar o livro agora por isso: para que as pessoas aproveitem para abandonar um pouco as redes sociais. Com três ou quatro horas diárias de leitura, é possível ler mais de um livro por semana", diz.

Seu livro, ele acredita, pode ajudar a despertar o interesse. Ele não resenha as obras, não conta muito sobre as histórias. E isso foi proposital. "Tem gente que se contenta com a resenha. Busco despertar o interesse."

Ele gosta das novidades, mas adora voltar a obras. "Reler é o melhor momento da vida. Borges já dizia que o auge da felicidade é a releitura. Como comecei a ler muito cedo, sinto que perdi algumas coisas de alguns livros."

Na estante de Fagundes moram livros da infância modesta, que ele ganhava ou comprava em sebos e bancas. E tem um livro que ele guardou em um lugar de destaque, para lembrá-lo de que ele ainda não o havia lido. E quase 50 anos se passaram assim, até que ele conseguiu encarar aquela leitura que ele tinha que ter feito na escola aos 12, mas que não fez e por isso perdeu nota e ficou traumatizado. "Descobri, com 60 anos, que O Ateneu é um livro fascinante e maravilhoso."

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