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Eles estão de volta

Estadão Conteúdo
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Em pleno 2020, no auge dos serviços de streaming, ainda há espaço para consumo de música em formato físico? O aumento de vendas de lojistas, a retomada da produção de vinil em duas fábricas brasileiras e uma tendência que tem ganhado força no contexto da pandemia - a dos clubes de assinatura - mostram que sim. De quebra, dão estabilidade ao mercado do disco de vinil, movido por entusiastas em meio a dificuldades, que vão da falta de insumos para a produção dos discos às embalagens.

Até setembro, o mercado de clubes de assinatura no Brasil teve aumento de 10% no faturamento em relação ao ano passado e deve fechar 2020 com alta de 12%, segundo dados da plataforma de e-commerce Betalabs. No segmento dos discos de vinil, números positivos dos dois principais clubes, Noize Record Club (NRC) e Três Selos, e o surgimento de um terceiro em novembro, a fábrica paulistana Vinil Brasil, confirmam a tendência.

"Sem cinema, barzinho ou viagens, as pessoas estão buscando mais opções de lazer em casa. Quem tem alguma segurança financeira neste momento está consumindo", diz Rafael Cortes, 40 anos, um dos fundadores do Três Selos.

O clube, formado em São Paulo em 2018, uniu EAEO Records, Assustado Discos e Goma Gringa para lançamentos exclusivos no modelo de assinatura - mensal, por R$ 120 ao mês e frete não incluso, ou anual, por R$ 1.440 com entrega -, mas que também disponibiliza cópias avulsas em seu site (por R$ 150) e em outras lojas. Tulipa Ruiz, Chico César, Jards Macalé, Kiko Dinucci e Lia de Itamaracá estão entre os artistas com discos de vinil lançados pelo coletivo, que aposta em produtos de luxo, com alto padrão de acabamento gráfico.

O sócio João Noronha, 28 anos, lembra que "em março, quando começou a pandemia, pensamos que o projeto tinha ido para o saco. Tínhamos acabado de ampliar a equipe e achamos que ninguém compraria mais vinil. Mas as vendas cresceram muito, para nossa surpresa".

Segundo ele, o faturamento do Três Selos em 2020 cresceu 150% em comparação com o ano passado, mas o lucro permaneceu praticamente o mesmo, por conta de ampliação da equipe e do aumento de custos na cadeia de produção.

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