Tribuna do Leitor

Velhice, aposentadorias e artimanhas

Almir Papalardo
| Tempo de leitura: 2 min

Toda pessoa com a idade avançada, pela lógica, deveria ser considerada um ser humano bafejado pelas graças do Pai Supremo. Principalmente se gozasse de boa saúde, se tivesse a garantia funcional e igualitária das leis, um forte e justo amparo social, uma proteção total para o presente e o futuro da sua família, um perfeito funcionamento do Estatuto do Idoso que hoje funciona apenas no sentido figurado. Poderia ter para o resto naturalmente diminuto da vida, a sua situação financeira intocável, sempre atualizada conforme o valor inicial da sua aposentadoria que foi ajustada conforme a sua produção do passado.

Mas não é isso o que acontece! O que vemos? A classe mais fragilizada de pessoas idosas, os sofridos aposentados, já sem aquele viço físico e mental da mocidade, são as maiores vítimas de um sistema bastante desequilibrado e injusto. Essa categoria é a mais atingida numa covardia sem precedentes, usada para correção de engrenagens que não se encaixam, originado pela própria inabilidade e imprudência dos nossos sábios operadores. Mas nada que nos preocupe por termos os aposentados do RGPS que nos servem de "válvula de escape", pensam os insensíveis! Há mais de duas décadas que os aposentados e pensionistas do RGPS veem reclamando deste irreal, esdrúxulo e desonesto critério, para atualizar aposentadorias com dois percentuais diferentes! Criaram um preconceito e discriminação entre os velhos trabalhadores do passado, que contribuíam para INSS, conforme o valor dos seus vencimentos. Isto, por mais estranho que pareça, não vale mais...

Como pode homens responsáveis consentirem por duas décadas, uma eternidade, sem que mentes inteligentes e criativas procurassem corrigir tamanho disparate? Preferiram a acomodação a um raciocínio lógico mais justo e habilidoso, principalmente quando o objetivo se destina à segurança e o bem-estar de pessoas, já na reta final da vida! Estes não têm mais força e sabedoria para se defenderem. Fica fácil portanto, lembrando daquele sábio ditado popular: "Como tirar doce da mão de criança...

A todo novo ano na nossa tão maltratada existência, os Poderes Legislativo e Executivo nos tiram uma pequena lasca da nossa tão surrupiada aposentadoria, já inferiorizada ante as aposentadorias públicas e militares. Concede-nos, por ganharmos ainda acima do piso, um índice corretivo inferior ao dado para os nossos pares do salário mínimo, todos, pertencentes ao mesmo regime! Enquanto isso, mofam já há 13 anos nas gavetas da Câmara dos Deputados, o abençoado Projeto de Lei nº 01/2007-Percentual Único de Correção das Aposentadorias, já aprovado pelo Senado Federal!

Um próspero e mais justo Ano Novo!

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