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Chuva abre erosão 'gigante' e até curso do rio é alterado

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

"Achamos que seria igual 'Brumadinho'". Foi assim que definiu, ainda assustado, Marcelo Godoi, 46 anos. O morador conta que imaginou ele, a esposa e os filhos sendo engolidos por lama dentro de casa, na noite desta segunda-feira (28), na quadra 1 da rua José Portela Cunha, Jardim Rosa Branca (região do Santa Edwirges), em Bauru. O impacto no solo ao lado de sua residência durante chuva foi tão forte que abriu uma erosão "gigante" e chegou até a mudar o curso do Córrego da Grama, que ficou rente ao quintal da família.

Essa alteração no rio ocorreu depois que as tubulações se romperam e foram deslocadas, explica a Defesa Civil. A casa de Marcelo e do vizinho foram interditadas pelo órgão, porque há riscos de novos desmoronamentos.

"Era 23h30, quando ouvimos o primeiro ruído alto, de ar, da cratera se abrindo. Depois, veio um segundo barulho e um terceiro, que balançou tudo. Parecia terremoto. Peguei minha esposa e os filhos (de 18 e 22 anos) e saímos correndo para a rua, com medo de a casa ser atingida e tudo ser levado", comenta Marcelo.

Ele reclama que o buraco foi abrindo gradativamente desde o começo do mês. Agora, teme novas chuvas e as consequências, já que não tem outro lugar para ir.

SEM CHÃO

Além de mudar o curso do Córrego da Grama, a erosão varreu o solo sob a linha férrea da Rumo (empresa que absorveu a antiga ALL), deixando o trilho como se fosse uma "ponte"; uma rua sem nome que ligava dois bairros; e tubulações de água e esgoto. O impacto é imenso e os danos ainda não foram todos calculados. Segundo Marcelo Ryal, coordenador da Defesa Civil, o problema reflete canos antigos e a estrutura da linha férrea sem manutenção. A população também depositava resíduos no entorno de onde se formou a cratera, afirma.

A Rumo enviou uma equipe técnica até lá para avaliar as necessidades de ações para recuperar as áreas afetadas. A empresa pontua que se trata de uma via atualmente fora de operação, mas que deverá ser reativada durante obras previstas no contrato da renovação da concessão da Malha Paulista. A prefeitura, por sua vez, disse que irá contatar a Rumo para discutir a questão.

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