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Um pra meia-noite

Ana Beatriz Garcia Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Tem quem fale que é uma passagem, uma mudança ordinária de mês. Não, definitivamente, não consigo. Imagine que, naquela data, com diferença de algumas horas, grande número de pessoas em todo o mundo estão emanando energias positivas, de gratidão e de esperança. Elas se abraçam - agora com total precaução. Algumas rezam pedindo por paz. São instantes de união, beijos apaixonados, olhos marejados e sorrisos de doer as bochechas. Sinceramente, não consigo ver outro momento de maior união e sentimentos positivos que este. É a conclusão de um ciclo, é energia de início que move e inspira.

Óbvio, não posso deixar de pensar nas tamanhas injustiças, tristezas, misérias e fatalidades concomitantes à festa, mas proponho, nessas linhas, o olhar de esperança. Durante 12 meses, semana a semana, vamos perdendo um tiquinho dela - sobretudo neste incomum e pesado 2020. Coisas nos aborrecem, um familiar ou amigo parte, nos distanciamos dos amigos outrora tão presentes, sentimos nosso coração partindo em caquinhos, ficamos apertados com as contas no final do mês.

Até que chega 20 e tantos de dezembro e já nem lembramos mais que número marca o calendário. Os dias passam a ter a mesma cara de expectativa, de fé no "esse ano vai". E a gente se recarrega. Essa energia que rodeia o mundo quando os ponteiros do relógio miram o céu nos inunda, sim. Aí temos novas oportunidades de perdoar, de amar, de acreditar. Isso tudo é clichê? É, sim! Mas eu sempre digo que só grandes verdades seriam tão ditas a ponto de se tornarem clichês.

Da meia-noite em diante, ame, respeite e acredite mais! Perca menos tempo com preocupações como "visualizou e não respondeu" e crie mais oportunidades de estar com quem faz questão da sua presença. Deixe nesse ano aquilo que te fez dizer que 2020 foi o pior de sua vida. Conclua o que tem de ser concluído. Carregue só o que é necessário para a próxima estação dessa viagem louca que é a vida. No fundo, você sabe certinho do que se despedir. E, lembre-se, você chegou até aqui.

Vamos aos recados. Se for passar a virada sozinho ou trabalhando, a energia e o abraço chegam até você. Permita que eles cheguem. Se for passar com amigos ou com a família, seja prudente. Cuide da sua vida e da deles. Há mais 365 dias esperando para serem vividos. Se brindou muito, não dirige não, ok?!

Acima de tudo, aproveite os sentimentos que brotam no coração da gente naquele momento em que o 59 vira 00 no relógio.

Seja bem-vindo, 2021!

A autora é repórter do Jornal da Cidade.

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