Tribuna do Leitor

Avanço epidemiológico?

Daniel Pestana Mota
| Tempo de leitura: 3 min

No desfecho deste fatídico ano de 2020 devemos comemorar, sim, os efeitos de uma vacina que tem se apresentado como aposta de proteção para aproximadamente dois terços da população brasileira. Vamos lembrar que neste período, em 2019, ganhava força a circulação, País afora, de um vírus que se mostrava cada vez mais transmissível: o vírus da intolerância. Uns dizem ter vindo de fora, outros que sempre esteve entre nós, incubado, mas certo mesmo é que desde o início esse vírus sofreu várias mutações, e hoje se transformou numa pandemia. Defesa do indefensável, moralismo barato, negacionismo irrestrito e muitas outras denominações fizeram do vírus da intolerância um dos principais (senão o principal) problema de saúde pública - física e espiritual -, sobretudo num Brasil onde os milhões de celulares que ocupam o cotidiano dos brasileiros não querem saber de usar máscaras. Identificadas pela mesma causa, milhares de pessoas passaram a se aglomerar nos espaços públicos, facilitando a transmissão, sobretudo nas capitais e cidades médias, em que os domingos eram reservados para autênticos festivais de civilismo carregados de energia desmedida com requintes de crueldade. A alma brasileira, insuflada pelo grande irmão tecnológico - cardápio de informações que reunia as TVs (aberta e fechada), blogs, sites e o exército de guardiões que inundava as telas de celulares - estava sendo lavada com sangue, suor e raiva, muita raiva. A situação se tornara insustentável, e por instinto de sobrevivência alguns laboratórios passaram a trabalhar na produção de vacinas. Muitos dizem que são estes mesmos laboratórios os que criaram o vírus, e cuidaram de disseminá-lo sem quaisquer critérios, a ponto de perder o controle sobre ele. Dizem, também, que a intenção, no início, era a de colaborar com aquilo que o processo de seleção natural não estaria dando conta: purificar a alma brasileira, apartando do convívio social alguns oportunistas identificados com correntes ideológicas bem definidas e que estariam colocando em risco a estabilidade da tradicionalidade e do conservadorismo que aqui sempre conviveram, e imperaram, intactos. O fato é que estes laboratórios hoje são produtores de forte conteúdo composto por partículas de vírus atenuado, prometendo evitar que dois terços de nossa população continue sendo contaminada ao produzir anticorpos que ocupam o espaço do patógeno e evitam que ele se instale e desencadeie seu processo de destruição física e espiritual. Mas nem tudo está a salvo! Primeiro porque as vacinas até aqui produzidas tem apresentado uma eficácia pouco superior à 50%, ou seja, de cada 10 pessoas vacinadas apenas 5 conseguem se proteger (talvez por ter havido insistência na utilização de vírus atenuado ao invés de se apostar na codificação da sequência de RNA). Segundo porque ainda temos 1/3 de brasileiros que fazem parte dos grupos antivacina. Este grupo, aliás, continua se comportando da mesma forma que se comportava um ano atrás, colocando em risco a população que resolveu se vacinar. Alguns estudiosos têm sido enfáticos: somente em 2022, por volta do mês de outubro, nosso País "poderá" apresentar reais condições de derrotar essa pandemia. Até lá, o distanciamento social - ao menos em relação a esse pessoal que deliberadamente não quer se vacinar - somado à consciência de que não se pode confiar plenamente nestes laboratórios, são as medidas mais prudentes.

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