Cultura

Passaporte para o conhecimento

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Cada um se virou como pôde quando o isolamento social pegou a todos de surpresa. Para quem é apaixonado pelo mundo dos livros, não foi muito difícil pensar em uma alternativa para se distrair em meio às privações. Para outros, o momento foi de reencontro com essa possibilidade que, nos tempos da escola, era tão dificultosa para se manter a concentração.

Comemorado nesta quinta-feira (7), o Dia do Leitor será pela primeira vez vivido pelo estudante de Engenharia de Produção da Unesp Bauru, que passou anos lutando com a leitura. "Sempre fui um bom aluno, tinha muita facilidade em aprender ouvindo, mas muita dificuldade em me concentrar para ler. Esse foi um desafio que a faculdade me ajudou a perceber e a pandemia, definitivamente, resolveu", comenta Caio Felipe dos Santos Matos, 29 anos.

Com a suspensão das aulas da graduação e a dispensa do estágio, o estudante se viu por três meses consecutivos sem sair de casa, onde sua maior companhia foram os estudos. "Como estou me preparando para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), comecei a ler livros e artigos acadêmicos. Em um primeiro momento, isso foi forçado, mas depois entendi que gostava da leitura e, esse tempo de ócio e isolamento, fez com que eu descobrisse isso", conta.

INÉDITO

Foi assim que, ao final desses três meses iniciais da pandemia, Caio Felipe tinha concluído a leitura de cinco livros acadêmicos - alguns em inglês -, o que ele considera inédito em sua vida. "Depois, tive a oportunidade de, na minha casa em São Paulo, encontrar velhos livros do tempo do colegial que eu gostei muito e resolvi relê-los, agora, com a cabeça mais madura", diz, citando as obras "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

"Acredito que o principal da leitura é a capacidade de nos ensinar tanto. Resgatei minha fluência em inglês, estou lendo um artigo ao dia e senti que foi muito produtivo esse momento", afirma Felipe.

PONTO DE FUGA

A leitura também foi a companheira da designer Ana Carla Ramos de Oliveira, 28 anos. Mas isso não foi novidade para ela. "Quando me vi em casa com todas essas preocupações sobre a pandemia, sabia que os livros seriam meu ponto de fuga. Eles já me ajudaram em muitos momentos difíceis, problemas pessoais e de luto e são por onde eu viajo, relaxo e me distraio", conta a mãe de Alice, de dois anos e meio, que também já gosta dos livros. "Ela tem a coleção dela e os preferidos, que leva em uma bolsinha quando sai", comenta a mãe que já incentiva a pequena.

Assim como Caio Felipe, a Ana Carla também passou a ler mais com a chegada do isolamento social. Em casa com a filha e diversos afazeres, os livros foram passaporte para diversos lugares e culturas diferentes.

"Com a maternidade, é um pouco mais difícil se concentrar, mas sempre que posso, leio. Os livros me trazem evolução enquanto pessoa, fazem com que eu viaje por lugares incríveis e que eu conheça novas coisas", comenta a leitora que terminou o ano de 2020 com nove livros lidos entre físicos e por e-book.

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