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Pandemia 'extingue' comércios nos arredores do Fórum de Bauru

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

A calmaria e o silêncio que tomam conta das manhãs e tardes nos arredores do Fórum de Bauru e da Secretaria da Fazenda, no Jardim Bela Vista, pouco se assemelham ao cenário movimentado, tanto de veículos quanto de pessoas, de antes da pandemia. Como os órgãos seguem com a maior parte dos seus serviços de forma remota e com seus funcionários em teletrabalho - assim como diversas instituições públicas e privadas em todo o País -, a queda abrupta no fluxo fez com que muitos comércios que ali funcionavam tivessem que fechar as suas portas. Os poucos que ainda lutam para manter seus negócios vivem um clima de solidão.

O grande impacto pode ser notado de cara nas quadras 4 e 5 da rua Afonso Pena. Dos cerca de 20 imóveis que existem nesses quarteirões, mais da metade são pontos comerciais, sendo que apenas dois ainda estão ocupados. Estacionamentos eram a maioria, mas, também, estabelecimentos do ramo alimentício e postos de serviço bancário fecharam suas portas.

Dentre eles, está a cantina que era administrada por Alessandra Fernandes Algodoal, de 40 anos, que funcionava em frente à entrada principal do Fórum. Durante dois anos, foi dali que ela tirou seu sustento, vendendo salgados, doces, refrigerantes, sucos, cafés, lanches naturais e até caldo de cana. Porém, a falta de consumidores no ano passado dificultou as coisas.

"Decidi ficar ali até dezembro, porque acreditava em uma melhora no movimento, mas não ocorreu. Desde que reabri em junho, quando saímos da fase vermelha, não tive nem 30% do movimento anterior. A quantidade de pessoas que atendia ali não era suficiente para pagar meu aluguel, água, energia, e ainda me manter. Por isso, acabei acumulando muitas dívidas", relata Alessandra. "É uma tristeza muito grande o que aconteceu ali naquela rua, porque o trabalho da gente é como nossa segunda casa".

Agora, Alessandra ainda estuda se irá reabrir o negócio este ano. Enquanto isso, está avaliando a situação junto à imobiliária e ao proprietário do imóvel.

Este impacto também foi sentido por João Paulo Ribeiro Sordi, de 33 anos. Ele geriu o restaurante que funcionava dentro do Fórum por seis anos. Após a interrupção do contrato, em 2017, alugou um imóvel na quadra 3 da rua Olavo Bilac, ao lado do órgão, para dar continuidade ao comércio. O investimento estava dando certo, até a chegada do novo coronavírus. "Funcionamos desde o início da pandemia, mas foi muito difícil. Tanto é que tive que conseguir outro emprego e, no meu horário de almoço, fazia a entrega das marmitas. Mas, não conseguimos manter as portas abertas e fechamos em outubro", conta.

REMANESCENTES

O que quebra um pouco a paisagem solitária evidente na rua são as roupas coloridas expostas na arara da loja do Luiz Cesar Maurício, de 63 anos. Ele, que é dono de um dos dois estabelecimentos que seguem abertos no local, afirma que já viu quase de tudo nesses 31 anos que trabalha por ali, mas nada se assemelha ao estrago provocado pela pandemia. "Minha clientela era quase toda do pessoal que vinha para o Fórum. Agora que muitos estão ficando em casa e não há mais movimento, tem dias que abro e não atendo ninguém", relata.

Mesmo assim, o lojista diz que não tem a intenção de sair do local neste momento, apesar de, muitas vezes, ser solitário passar as manhãs e tardes ali. "Às vezes, fico conversando com o pouco pessoal que ainda está trabalhando no Fórum, ou fico jogando no computador, navegando na Internet. As coisas estão difíceis, mas me considero um sobrevivente", relata.

Já para o advogado Everson Said, de 49 anos, a motivação para alugar, há dois anos, o imóvel para instalar seu escritório de advocacia naquele endereço, foi a visibilidade proporcionada pelo fluxo de pessoas e por estar perto do Fórum, local que costumava frequentar com frequência, devido à sua profissão.

"Ajudava bastante estar aqui, porque atendia muita gente procurando por ajuda e acabava conseguindo clientes. Mas, agora que esse movimento praticamente acabou, estou avaliando se continuarei neste lugar este ano, quando o contrato do aluguel vencer", pondera o advogado. "Vejo com pesar o que aconteceu aqui. Muitos trabalhadores perderam o emprego com o fechamento desses comércios".

 

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